Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Apoio evangélico a Augusto Cury provoca reação de setores bolsonaristas

Influenciadores e lideranças cristãs defendem voto por convicção, enquanto críticos associam o candidato à esquerda.

Como Augusto Cury mobiliza evangélicos nas redes e incomoda o bolsonarismo
Foto: Lima Andruška/Wikimedia Commons

O avanço de Augusto Cury nas pesquisas presidenciais levou o candidato ao centro da disputa e ampliou uma mobilização de influenciadores e lideranças cristãs nas redes. O apoio apresenta Cury como um candidato cristão, guiado por propósito e sem interesse em usar a política para obter poder ou ganhos financeiros. Setores bolsonaristas, por outro lado, tentam associá-lo à esquerda e o descrevem como um possível “cavalo de Troia”.

No levantamento BTG/Nexus, Cury passou de 2% para 11% das intenções de voto entre as duas últimas rodadas. A AtlasIntel registrou crescimento de 3% para 7,8%. Na Quaest, o candidato chegou a 10%. No Datafolha, apareceu com 8%, em terceiro lugar, atrás de Lula, com 38%, e Flávio Bolsonaro, com 33%.

Mobilização nas redes evangélicas

A articulação em torno de Cury já circulava entre grupos evangélicos antes da divulgação desses resultados. O movimento foi analisado na sétima edição do relatório Narrativas Evangélicas e Contexto Eleitoral, produzido pela Casa Galileia em parceria com o Instituto Democracia em Xeque. O estudo acompanhou publicações feitas entre 17 e 30 de agosto e examinou narrativas na fronteira entre religião e política.

Um dos principais argumentos dos apoiadores é que Cury teria construído uma carreira bem-sucedida fora da política e, por isso, não precisaria de um cargo público para alcançar poder ou ganhos financeiros. Essa imagem é combinada a ideias de fé, virtude, serviço e propósito.

Uma publicação de Raphael Soares em defesa do candidato alcançou 1,4 milhão de interações e ficou entre os conteúdos mais repercutidos no período analisado. Fabiola Melo, que reúne mais de 3 milhões de seguidores, também declarou apoio. Ao responder a uma seguidora preocupada com a possibilidade de o voto beneficiar Lula, a pastora afirmou que “muitos não sabem, mas ele é crente” e defendeu uma escolha por convicção, e não por medo, no primeiro turno.

Portais evangélicos também repercutiram a trajetória de Cury como ex-ateu que teria se tornado um “cristão sem fronteiras” ao estudar a mente de Cristo. Outras publicações apresentaram sua entrada na política como um “envio divino” e trataram mudanças de voto entre eleitores de diferentes campos como um acontecimento de caráter milagroso.

Apoio político e reação bolsonarista

Pablo Marçal declarou voto em Cury e relacionou seu sobrenome à “cura do Brasil”. Marçal destacou como pontos em comum o desejo de servir ao país e o sucesso profissional dos dois. Em uma publicação conjunta, chamou Cury de homem nobre, enquanto o candidato disse que sua candidatura nasceu de um propósito.

Marçal também defendeu o voto em Cury no primeiro turno diante do argumento de que candidaturas alternativas poderiam favorecer Lula. Na avaliação apresentada por ele, esse momento deveria ser usado para votar no candidato em que o eleitor acredita. A estratégia também poderia atrair indecisos, pessoas desesperançosas e eleitores que planejavam votar em branco ou nulo.

Com a ampliação do apoio, setores bolsonaristas do campo evangélico passaram a criticar Cury por estar em um partido apontado por esses perfis como aliado ao PT. A candidatura foi apresentada como de esquerda, e a imagem do “cavalo de Troia” foi usada para sustentar a tese de que ela esconderia posições diferentes das percebidas por parte do público cristão.

As críticas também atingiram a defesa de Cury pela pacificação e pela união. Wesley Ros publicou um desabafo como “ex-admirador e ex-leitor” e recuperou um trecho do livro Dez leis para ser feliz, no qual Cury elogia o choro de Lula durante um discurso realizado em 2013.

Nesse cenário, os críticos apontam Flávio Bolsonaro como a alternativa mais viável para derrotar Lula. O confronto opõe, de um lado, a defesa do voto por convicção e a associação de Cury a valores cristãos; de outro, uma escolha orientada pela viabilidade eleitoral e questionamentos sobre sua posição política e sobre os valores religiosos mobilizados em torno de sua candidatura.

O relatório registra que a eleição de 2026 é atravessada por diferentes disputas sobre os valores que devem orientar o voto cristão. A movimentação em torno de Cury também tensiona a associação direta entre o voto evangélico e o bolsonarismo. Ainda não há elementos para determinar como esse movimento se refletirá no comportamento eleitoral, segundo a análise de Andréa Laís e Lorena Mochel, pesquisadoras ligadas à Casa Galileia.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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