Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Brasil será campo de teste para regras de IA nas eleições de 2026

Executivo da OpenAI afirma que empresa ajustou sistemas, mas reconhece que regras do TSE ainda não têm jurisprudência.

Brasil será campo de teste para regras de IA nas eleições de 2026
Foto: Nwz/Shutterstock

O Brasil será um dos principais testes para o uso de inteligência artificial em eleições, afirmou Bruno Lewicki, head de políticas públicas da OpenAI na América Latina. Para o executivo, a experiência brasileira poderá orientar países que terão eleições em 2027, entre eles França e Espanha.

Lewicki disse que a empresa se preparou para o pleito de 2026 e espera que não ocorram grandes problemas relacionados ao uso de IA. Ele também ressaltou que várias regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) são recentes e ainda não contam com jurisprudência que indique como serão aplicadas na prática.

Medidas adotadas pela OpenAI

A preparação da OpenAI envolve três frentes. A primeira é a identificação de conteúdos gerados por inteligência artificial. Arquivos produzidos pelo ChatGPT recebem uma etiqueta digital com metadados sobre a origem e uma marca d’água invisível, capaz de indicar quando uma imagem foi criada pelo serviço.

A empresa também oferece uma ferramenta que analisa imagens e áudios para verificar se foram produzidos integralmente ou com auxílio do ChatGPT. Lewicki mencionou um caso envolvendo um suposto relatório da Polícia Federal que circulou nas redes sociais e foi identificado como material produzido com IA por uma jornalista de uma agência de checagem. A ferramenta, porém, não verifica textos.

Outra frente é o acesso à informação. Segundo Lewicki, o ChatGPT recebe 215 milhões de mensagens diárias no Brasil. Durante o período eleitoral, a OpenAI ampliou a inclusão de fontes oficiais, como o TSE, e de veículos jornalísticos entre as referências consideradas pelo sistema.

A terceira medida é o monitoramento contínuo feito pelas equipes de segurança, inteligência e integridade da empresa. A OpenAI também mantém políticas contra supressão de voto e interferência no processo eleitoral.

Regras eleitorais e funcionamento do ChatGPT

Uma das normas citadas por Lewicki proíbe que modelos de IA ranqueiem, recomendem, sugiram, favoreçam ou desfavoreçam candidatos ou partidos, de forma direta ou indireta. A OpenAI afirma ter políticas para reduzir vieses em temas políticos e eleitorais, mas considera nova a regra do TSE.

O uso do ChatGPT em campanhas eleitorais também é proibido, com exceção de determinadas atividades administrativas. A OpenAI não disponibiliza anúncios políticos ou eleitorais no serviço, inclusive no Brasil. A empresa ainda aplica medidas contra práticas que possam interferir no processo de votação.

Lewicki citou um episódio ocorrido na Índia em 2024, quando o ChatGPT teria sido usado com redes sociais e personas falsas de mídia para favorecer um partido. Segundo ele, os sistemas da OpenAI identificaram o caso, que não teve grande engajamento.

Estudos do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS) e do Observatório IA nas Eleições haviam apontado situações em que chatbots, incluindo o ChatGPT, ainda ranqueavam ou recomendavam candidatos. Lewicki afirmou que esses levantamentos usaram dados coletados entre fevereiro e julho, antes do início da campanha eleitoral.

A OpenAI pediu um novo estudo ao professor Diogo Reis para avaliar mudanças recentes. De acordo com Lewicki, o modelo se recusou a ranquear ou recomendar candidatos em 32 de 33 tentativas.

Restrições para conteúdos gerados por IA

Lewicki também comentou a regra do TSE que restringe a publicação, a republicação e o impulsionamento de conteúdos gerados por IA nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores ao pleito. Na avaliação do executivo, a norma trata da circulação do material, não da geração em si.

Segundo ele, a regra prevê responsabilidades para as redes sociais e para quem disseminar o conteúdo. A OpenAI continuará usando suas camadas de defesa para indicar a procedência dos arquivos e monitorar usos que contrariem as políticas da empresa.

A empresa não contratou pessoas especificamente por causa da eleição brasileira, afirmou Lewicki. Ele disse que a tecnologia vem sendo aprimorada continuamente e defendeu a participação de governos, empresas, universidades e sociedade civil nas discussões sobre segurança de IA, cibersegurança e riscos da tecnologia.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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