RIO DE JANEIRO — Luana Dames e Pedro Torres, responsáveis pela creche para cães e gatos Pituchos da Lu, em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, foram indiciados pela Polícia Civil por suspeita de maus-tratos a animais. O inquérito da 10ª DP (Botafogo) foi concluído e encaminhado à Justiça.
A investigação começou depois que um ex-funcionário entregou à polícia vídeos e conversas sobre a rotina do estabelecimento. As imagens registram funcionários agredindo cães e mantendo animais presos em espaços considerados inadequados. Em uma gravação, um homem dá tapas na cabeça de um cachorro; em outra, chuta o animal. Também há um vídeo em que um cão é puxado para fora de um cômodo enquanto grita.
Segundo a delegada Natália Caliman, titular da 10ª DP, alguns cães eram mantidos presos por correntes curtas em um ambiente chamado de “solitária”. De acordo com ela, os animais ficavam confinados, sem espaço para deitar e afastados de água e comida.
Além das gravações, a polícia reuniu depoimentos de ex-funcionários e relatos de tutores. Outros trabalhadores disseram ter presenciado agressões, enquanto tutores afirmaram ter recebido cães de volta com ferimentos. A investigação também analisou conversas em que responsáveis pela creche reclamavam de animais que latiam com frequência.
Luana Dames e Pedro Torres foram chamados duas vezes para depor, mas não compareceram à delegacia. Com o encerramento do inquérito, os dois foram formalmente indiciados. O caso será analisado pelo Ministério Público, que poderá apresentar denúncia à Justiça. Não há prazo para essa decisão.
Em nota publicada no site da empresa, os responsáveis afirmaram ter entregue às autoridades todo o material relacionado ao episódio e disseram confiar na investigação. A Pituchos da Lu declarou atuar há quatro anos e já ter recebido mais de 1.100 cães e 200 gatos, de mais de mil famílias. A empresa também afirmou ter fornecido as informações solicitadas e contestou a forma depreciativa como conteúdos sobre o caso foram divulgados.








