Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Moradores denunciam extorsão atribuída ao CV em Paraty

Comerciantes relatam ameaças, incêndios e cobranças mensais de R$ 500 a R$ 1.000 em áreas turísticas da cidade.

Moradores denunciam extorsão atribuída ao CV em Paraty

Moradores e comerciantes de Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro, relatam cobranças e ameaças atribuídas a pessoas que dizem integrar o Comando Vermelho (CV). Estabelecimentos que recusam o pagamento enfrentam represálias, incluindo incêndios em restaurantes e quiosques.

A cobrança mensal varia de R$ 500 a R$ 1.000. Moradores afirmam temer que o valor aumente durante o verão, período de alta temporada. Barqueiros que levam turistas a enseadas também são alvo das exigências no cais da cidade.

Operação policial

Nesta quarta-feira (16), a Polícia Civil realizou uma operação para investigar a expansão do CV em Paraty. A ação foi coordenada pela DRE, da Polícia Civil da Capital, com participação do Ministério Público por meio do Gaeco. Os agentes buscaram cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão em Paraty, no Rio de Janeiro e em Nova Iguaçu.

A Prefeitura de Paraty informou que comunicou o comando da Polícia Militar assim que tomou conhecimento das denúncias. A corporação declarou que intensificou sua atuação na cidade.

A cobrança também chegou às vilas caiçaras, como Trindade, onde restaurantes, lanchonetes e pousadas receberam exigências. Segundo moradores, quem não paga recebe mensagens particulares no celular. A população suspeita que os responsáveis estejam infiltrados em grupos de moradores.

Há um mês, um comerciante recusou uma cobrança e, uma semana depois, a estrutura do estabelecimento onde trabalhava foi incendiada. Em outro episódio, um homem foi preso sob suspeita de exigir dinheiro de barqueiros na praia do Pontal, perto do centro histórico. À polícia, ele confessou que recolhia os valores para a facção.

Denúncias e atuação nas comunidades

Trindade integra o Parque Nacional da Serra da Bocaina, administrado pelo ICMBio. A presença de homens armados não é descrita como ostensiva nas vilas caiçaras, mas a sigla CV aparece em papelotes de drogas apreendidos pela polícia.

De janeiro a agosto deste ano, o Disque Denúncia recebeu cinco relatos de extorsão em Caboré, Chácara, Pontal, São Gonçalo e Trindade. No mesmo período, outros 55 telefonemas anônimos denunciaram tráfico de drogas no município.

Os registros sobre tráfico passaram de 81 em 2024 para 152 em 2025. Em Trindade, foram 45 denúncias em 2025, contra duas em 2022. O Disque Denúncia considera possível que os dados estejam subnotificados, depois que a Prefeitura encerrou uma parceria com o órgão na gestão de Zezé Porto (Republicanos).

Em nota, a prefeitura afirmou que a ausência de convênio direto “não representa qualquer interrupção ou prejuízo ao funcionamento do canal de denúncia anônima”.

A Polícia Militar informou que faz incursões diárias em áreas consideradas sensíveis, como Ilha das Cobras. No último dia 3, houve troca de tiros no bairro do Condado, vizinho à região, durante uma ação para localizar um ponto de venda de drogas. Dois homens foram presos, e um deles foi levado sob custódia para um hospital da cidade.

A companhia da PM responsável por Paraty informou que aprimora ações de inteligência e de campo, além de verificar denúncias e manter contato com representantes da comunidade e órgãos públicos. A corporação também declarou que as ações contra o crime organizado local continuarão sendo intensificadas.

As comunidades caiçaras mantêm histórico de mobilização desde os anos 1970, quando moradores começaram a se opor à construção do condomínio Laranjeiras. No ano passado, a segurança pública motivou um ato na praia do Sono contra a extorsão.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.

Mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5