Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Flávio Bolsonaro tenta suavizar imagem, mas enfrenta novas e antigas acusações

Pré-candidato do PL busca ampliar apoio com discurso moderado, enquanto responde por conversas com Daniel Vorcaro e denúncias do período na Alerj.

Vorcaro, rachadinha e milícia: os fantasmas que rondam a campanha 'moderada' de Flávio Bolsonaro

A estratégia de Flávio Bolsonaro para disputar a Presidência combina a tentativa de herdar o eleitorado de Jair Bolsonaro com a construção de uma imagem mais moderada. O senador passou a destacar que tomou vacina, que dialoga com diferentes setores e que se distancia de posições associadas ao pai. A campanha, porém, enfrenta a repercussão de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro e denúncias antigas relacionadas a seu período como deputado estadual no Rio de Janeiro.

Vorcaro está preso e negocia um acordo de delação premiada com potencial para atingir altas autoridades. Segundo o Intercept Brasil, ele teria repassado ao menos R$ 61 milhões para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro no ano passado. O financiamento total poderia chegar a R$ 134 milhões. Flávio afirma que buscava patrocínio privado para a obra e nega ter oferecido vantagens, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro.

A relação com o banqueiro se soma às suspeitas de rachadinha no antigo gabinete do senador e aos questionamentos sobre sua proximidade com o miliciano Adriano da Nóbrega. Flávio nega as acusações.

Para Yuri Sanches, diretor de risco político da AtlasIntel, o episódio dificulta o esforço para reduzir a rejeição associada ao sobrenome Bolsonaro e aos casos de corrupção. Na avaliação dele, Flávio tenta se apresentar como um gestor diferente do pai, embora não tenha experiência de gestão.

Disputa pelo eleitorado

Flávio foi escolhido por Jair Bolsonaro para disputar a Presidência pelo PL em dezembro. Desde então, subiu nas intenções de voto. No agregador de pesquisas da BBC News Brasil, ele e Luiz Inácio Lula da Silva aparecem empatados em um eventual segundo turno.

A pré-campanha afirma que a mensagem moderada ajudou a ampliar o apoio entre jovens, integrantes da classe média e mulheres. Levantamentos do instituto Quaest mostram que, entre dezembro e maio, Flávio chegou a 45% contra 38% de Lula entre eleitores de 16 a 34 anos. Na faixa de renda entre 2 e 5 salários-mínimos, marcou 44%, ante 40% do atual presidente. Entre as mulheres, passou de 31% para 36%, enquanto Lula registrou 45% em maio.

O discurso também aparece nas redes sociais. Flávio publicou conteúdos sobre a importância do Carnaval para a economia e, no Dia da Mulher, abordou feminicídios, falta de creches e figuras como Berta Lutz, Antonieta de Barros e Maria da Penha.

A senadora Damares Alves avalia que Flávio não tenta ser uma versão moderada do pai, mas que ele próprio teria esse perfil. Para ela, o senador cresceu impulsionado pelo antipetismo e pela frustração com o desempenho econômico do governo Lula.

Na direção oposta, o PT tenta associá-lo às mesmas pautas de Jair Bolsonaro. Um vídeo divulgado por Lindbergh Farias o classifica como integrante da extrema-direita e cita declarações sobre a possibilidade de uso da força para garantir anistia ou indulto ao pai. O material também menciona um pedido feito por Flávio para que os Estados Unidos bombardeassem navios na costa brasileira.

Acusações do período na Alerj

Flávio foi deputado estadual de 2002 a 2018. O caso da rachadinha veio à tona no final de 2018, depois que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontou movimentações milionárias na conta de Fabrício Queiroz, então chefe de gabinete do parlamentar.

Em 2020, o Ministério Público acusou Queiroz de operar um esquema de recolhimento de parte dos salários de funcionários do gabinete. Segundo a denúncia, 12 funcionários fantasmas receberam R$ 6,1 milhões. O senador foi denunciado em 2019 por organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro, mas o processo foi paralisado sem julgamento do mérito.

Decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal anularam medidas e relatórios que embasavam a investigação. O Ministério Público do Rio de Janeiro informou que o caso foi encerrado depois que Gilmar Mendes rejeitou, em fevereiro de 2025, um recurso para reabrir a apuração.

Flávio afirma que nunca respondeu criminalmente pelo caso e sustenta que os recursos recebidos por Queiroz eram usados para contratar informalmente pessoas que atuavam em apoio ao mandato.

As suspeitas também envolvem Adriano da Nóbrega, homenageado por Flávio em 2003 e 2005. A mãe e a então esposa de Adriano trabalharam no gabinete do senador até 2018. Flávio diz que não conhecia as atividades criminosas atribuídas ao policial e nega defender milícias.

Para Marcelo Freixo, que conviveu com Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o senador representava o projeto político da família Bolsonaro. Já aliados como Damares Alves e Rogério Marinho afirmam que as acusações não têm base fática e fazem parte da disputa eleitoral.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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