Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Mensagens mostram cobranças por recursos para o filme Dark Horse

Conversas entre Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel registram atrasos, dificuldades cambiais e cobranças para financiar a produção.

Pressão para liberar recursos a ‘Dark Horse’ foi intensa e constante, revelam mensagens de Vorcaro

Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro mostram cobranças recorrentes para liberar recursos destinados a Dark Horse, filme de propaganda sobre Jair Bolsonaro. Os diálogos também registram a tensão de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, diante dos atrasos no financiamento da produção.

Em 20 de janeiro de 2025, Zettel avisou que o responsável pelo filme o pressionava e havia enviado um fluxo de pagamentos. No dia seguinte, pediu uma orientação a Vorcaro enquanto os dois tratavam de outros repasses. A conversa incluía um fluxo de “55,5 milhões”, mas o banqueiro perguntou se o filme estava incluído.

Uma semana depois, Vorcaro classificou o financiamento como “o mais importante disparado” e advertiu que a operação não poderia falhar novamente. A liberação, porém, encontrou dificuldades operacionais. Em 29 de janeiro, Zettel informou que a empresa criada para fazer os pagamentos não tinha cadastro suficiente para realizar os câmbios do filme.

No dia seguinte, ele voltou a perguntar qual empresa deveria pagar a produção e informou que o repasse seria de “2M de dólares”. As cobranças continuaram em 3 de fevereiro, quando a resolução do filme apareceu entre as pendências. Zettel também pediu a liberação de uma transferência e uma definição sobre a empresa responsável pelo pagamento.

Alternativa para os pagamentos

Em 5 de fevereiro, Vorcaro sugeriu fazer a operação por meio da Entre Investimentos e Participações, de Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Zettel afirmou que procuraria Mineiro, e Vorcaro determinou o envio do dinheiro. As mensagens indicam que a rota seria usada para movimentar mais de 60 milhões de reais supostamente destinados a Dark Horse.

Os diálogos registram dúvidas sobre quem faria o pagamento no exterior e mencionam um fundo. Em 6 de fevereiro, o publicitário Thiago Miranda cobrou Vorcaro porque o financiamento do filme estava parado. O banqueiro respondeu que havia problemas para realizar o câmbio e disse que tentaria resolver a situação naquele dia.

Em 11 de fevereiro, Vorcaro voltou a cobrar informações sobre a operação. Zettel disse que havia repassado o assunto a Mineiro, que também enfrentava dificuldades. Três dias depois, foi compartilhado um comprovante de transferência de 2 milhões de dólares da Entre Investimentos para o Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, sob responsabilidade do advogado Paulo Calixto.

Cobranças continuaram

Em 12 de março, Thiago Miranda informou a Vorcaro que apenas o primeiro pagamento de janeiro havia sido realizado. O banqueiro pediu a Zettel que acompanhasse a situação e cobrasse os pagamentos seguintes. O cunhado respondeu que pressionaria Mineiro, a quem havia enviado o fluxo.

Em 18 de agosto de 2025, Miranda voltou a informar que parcelas não haviam caído. Vorcaro respondeu que seu esforço era máximo e que o financiamento tinha prioridade total.

Vorcaro teria pago mais de 60 milhões de reais para viabilizar Dark Horse por meio do fundo Havengate. O acordo inicial previa cerca de 134 milhões de reais. O financiamento é investigado pela Polícia Federal, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes que, em tese, teriam sido praticados por Flávio Bolsonaro.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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