O Brasil registrou 21 mortes em acidentes de helicóptero em 2026 até esta terça-feira (22). O resultado é o segundo maior da série histórica estatística publicada pela Aeronáutica desde ao menos 2016 e fica atrás apenas das 24 vítimas contabilizadas em todo 2018.
Os óbitos ocorreram em cinco acidentes fatais. As mortes em helicópteros representam 43% do total de vítimas em acidentes aéreos no país neste ano, conforme dados do Painel Sipaer, da Força Aérea Brasileira.
Acidente em Santa Catarina
O caso mais recente aconteceu em Santa Catarina. Na manhã de terça-feira (22), o Corpo de Bombeiros localizou os destroços da aeronave que transportava o cantor Rick, da dupla com Renner. O helicóptero havia saído de Porto Belo, no litoral, com destino a São Joaquim na segunda-feira (21), mas desapareceu após perder contato durante o trajeto.
Nenhuma das cinco pessoas a bordo sobreviveu. Além do cantor, estavam na aeronave o empresário Bruno Avelar, o piloto, o copiloto e um videomaker. Os destroços foram encontrados em uma área de mata de difícil acesso após 13 horas de operação, com apoio da Força Aérea Brasileira.
Durante todo o ano passado, foram registradas sete mortes em acidentes de helicóptero. Em 2024, houve 15 vítimas.
Frota e avaliação de segurança
O aumento das mortes ocorre junto com a expansão da aviação executiva, que inclui helicópteros. Dados do Registro Aeronáutico Brasileiro, da Agência Nacional de Aviação Civil, mostram que a frota passou de 9.460 aeronaves em maio de 2022 para 11.362 em maio de 2026, crescimento de 20,1% em quatro anos.
No segmento de helicópteros, o avanço foi de cerca de 23% entre maio de 2024 e maio de 2026: de 1.889 para 2.315 unidades.
Para João Luna, especialista em segurança de aviação e aeronavegabilidade continuada, o número absoluto de mortes não é suficiente para concluir que a segurança operacional piorou. Segundo ele, é preciso analisar também a taxa de acidentes por horas voadas, a proporção de ocorrências fatais, a severidade média dos casos e a evolução de cada segmento ao longo de vários anos. O especialista afirmou que os dados não configuram “uma tendência estrutural”.
Concentração de ocorrências
O Rio de Janeiro concentrou 64% dos acidentes e incidentes com helicópteros no país entre janeiro de 2025 e junho de 2026. Em 14 de junho, uma colisão entre dois helicópteros sobre a avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes, terminou com seis mortes. Entre as vítimas estava o cantor americano Oliver Tree.
Em 8 de agosto, outro helicóptero caiu perto da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista. O piloto e três turistas colombianas de uma mesma família morreram.
Luna relaciona a concentração ao perfil de operação da região, com voos panorâmicos e de táxi aéreo urbano em espaço aéreo de alta densidade. Ele defende o reforço dos Sistemas de Gerenciamento de Segurança Operacional, da cultura de reporte voluntário e do planejamento de voos em corredores compartilhados.








