BELÉM — A Justiça Federal determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 153 milhões em bens e valores ligados a investigados na Operação Termidor, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (17). A decisão também suspendeu, por tempo indeterminado, as atividades econômicas de 11 empresas.
A operação apura a atuação de um grupo suspeito de furtar, receber e vender ilegalmente frutos de dendê, além de lavar dinheiro e ocultar bens, direitos e valores. A investigação começou após conflitos registrados em Concórdia do Pará, Tomé-Açu, Acará, Moju e Tailândia, municípios de uma das principais regiões produtoras de dendê do estado.
Investigação e medidas judiciais
Luciano Rodrigues foi preso em um apartamento no Edifício Village Moon, na avenida Visconde de Souza Franco, em Belém. Ao notar a chegada dos agentes, ele teria lançado o celular pela janela. A Polícia Federal cercou o prédio e fez buscas para localizar o aparelho.
Rodrigues é apontado como controlador das empresas Agronorte, LR Agro e LR Logística. A ação também alcançou os edifícios Castelo Massino, Malmo, Rio Mino e Lisse, na capital paraense.
Foram expedidos nove mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão. As ordens foram cumpridas em Belém, Ananindeua, Castanhal e Tomé-Açu, no Pará, e em Indaiatuba (SP). As autorizações partiram da 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Pará.
O processo tramita em segredo de justiça, por isso a lista completa de pessoas e empresas atingidas não foi divulgada. Entre as companhias relacionadas à investigação estão Belém Bioenergia Brasil (BBB), Agropalma, Grupo BBF (Brasil BioFuels), Indústria Vila Nova e Eco Tauá. A situação de cada empresa ainda depende do avanço das apurações.
Movimentação financeira
De acordo com a Polícia Federal, grupos empresariais investigados teriam movimentado cerca de R$ 1 bilhão nos últimos quatro anos na cadeia econômica do dendê. A Receita Federal informou que parte desses recursos não teria documentação fiscal e contábil suficiente para comprovar sua origem e destinação.
O órgão também identificou possíveis incompatibilidades entre a capacidade econômica declarada e a real dos principais investigados, além de movimentações incompatíveis com o faturamento empresarial e pagamentos a fornecedores ou beneficiários sem relação aparente com a atividade do setor.
A investigação aponta ainda a possível participação de servidores públicos e integrantes de grupos criminosos. Segundo a PF, uma estrutura criminosa armada teria atuado no furto, na receptação e na venda ilegal dos frutos, além de lavar os lucros obtidos.
Uma fonte ligada ao caso afirmou que Rodrigues teria começado no setor prestando transporte de dendê para a BBF (Brasil BioFuels), com mais de 80 caminhões. Ainda conforme o relato, os dois lados teriam entrado em conflito por uma dívida de aproximadamente R$ 15 milhões relacionada ao transporte do fruto. A fonte disse que um acordo envolveu o arrendamento de terras para quitar o valor.
Participaram da operação 13 auditores-fiscais e analistas-tributários da Receita Federal. Documentos e equipamentos apreendidos serão analisados junto com dados fiscais e bancários para aprofundar a apuração sobre a origem e o destino dos recursos.







