VIDAL RAMOS — Um sítio no alto de uma montanha passou a receber visitantes interessados nas esculturas feitas por Sávio Domingos, de 67 anos. Sem placas, anúncios ou cobrança de entrada, o local é procurado por pessoas que ouviram falar das obras e querem conhecê-las e fotografá-las.
O trabalho do morador de Vidal Ramos, no Alto Vale do Itajaí, começou há cerca de 15 anos, quando ele encontrou uma pedra enorme e imaginou transformá-la em estátua. Como o bloco estava em uma área de difícil acesso, foram necessários cerca de um ano para retirá-lo e levá-lo até o sítio.
“Eu já fazia pequenas de madeira e outras coisinhas. Um dia, há muitos anos, encontrei uma pedra grande, enorme. Aí me deu a ideia de fazer uma estátua”, conta Sávio.
Pedras pesadas e trabalho manual
A experiência como operador de máquinas ajudou Sávio a transportar parte dos blocos. Algumas pedras foram levadas com caminhões; outras chegaram ao espaço de trabalho com a ajuda do conhecimento que ele tinha na operação de máquinas.
Para esculpir, ele usa rompedor elétrico, talhadeiras, martelos e até machado. Cada bloco pesa cerca de 3,5 toneladas, enquanto a peça que está sendo produzida atualmente já ultrapassa as quatro toneladas.
O ritmo é definido pelo próprio escultor. Uma obra com a figura de um macaco levou meses para ser concluída. Se trabalhasse sem interrupções, Sávio calcula que conseguiria terminar uma peça em cerca de 30 dias, mas prefere alternar momentos de trabalho e descanso.
“Não tenho pressa de fazer as coisas. Quando dá tempo, eu vou fazendo”, relata.
Moais e uma versão de Rodin
Os moais da Ilha de Páscoa, no Chile, são a principal referência do artista. Sávio conheceu essas estátuas monumentais por documentários e programas de televisão e ainda pretende visitar o local para observar as pedras usadas pelos antigos escultores e entender como elas eram trabalhadas.
Ele também deseja conhecer Machu Picchu. “Meu sonho ainda é ir lá. Tanto lá quanto em Machu Picchu, para conhecer, ver como eram essas construções e que material eles usaram para esculpir”, afirma.
Outra obra reproduz, à maneira de Sávio, a ideia de “O Pensador”, de Auguste Rodin. Em vez de uma figura humana, ele fez um gorila, associado pelo escultor a uma reflexão sobre a situação da humanidade.
As peças não são totalmente finalizadas. Sávio mantém uma aparência bruta e preserva parte das características naturais das pedras. No sítio, ele continua trabalhando na quarta grande escultura, que ainda deve levar meses para ficar pronta.
O espaço recebe visitantes quase duas vezes por semana. Sávio vive sozinho no local e recebe familiares nos fins de semana. A atividade, que começou com uma única ideia, transformou o terreno em um conjunto de esculturas ao ar livre em uma cidade de cerca de seis mil habitantes.







