Uma pesquisa da Avast identificou uma diferença entre a confiança dos brasileiros para reconhecer conteúdos falsos criados por inteligência artificial e o cuidado com os próprios dados. Embora 73% dos adultos afirmem que conseguiriam identificar uma falsificação feita por IA, 70% já compartilharam ou consideraram compartilhar informações sensíveis com ferramentas desse tipo. A Avast chama esse comportamento de armadilha da confiança na IA.
O estudo integra o relatório Avast 2026 Safe Tech e ouviu 1.000 adultos brasileiros em uma pesquisa online da Dynata, realizada entre 29 de maio e 12 de junho de 2026.
Dados que os brasileiros compartilham
Entre os entrevistados, 30% disseram que já enviaram ou cogitaram enviar documentos de trabalho a um chatbot de IA. A mesma proporção mencionou capturas de tela de mensagens privadas ou e-mails. Currículos foram citados por 28% dos participantes.
Iskander Sanchez-Rola, diretor sênior de IA e Inovação na Gen, afirmou que chatbots não devem ser tratados como confidentes. Ele recomenda verificar como cada ferramenta processa, armazena e usa as informações antes do envio de dados privados.
Um relatório de ameaças da Gen, grupo do qual a Avast faz parte, registrou que a IA esteve envolvida em dezenas de milhões de interações em vídeo analisadas no mundo durante o primeiro semestre de 2026. Aproximadamente uma em cada 30 foi sinalizada como golpe.
Sinais de fraude
A pesquisa também mostra que conhecer os alertas não significa necessariamente agir de acordo com eles. Metade dos brasileiros consultados disse que pode ignorar uma oferta boa demais para ser verdade. Além disso, 45% podem desconsiderar pedidos de informações pessoais apresentados como necessários “apenas para confirmar” algo, enquanto 37% podem deixar passar situações com pressão para uma decisão rápida.
Segundo a Avast, 94% dos entrevistados já assistiram ou ouviram conteúdos sobre golpes em formatos semelhantes a true crime. Desse grupo, 67% disseram ter ficado mais atentos no dia a dia, mas apenas 48% usaram essas histórias para conversar sobre fraudes com pessoas próximas.
A empresa recomenda compartilhar menos informações por padrão, desconfiar de decisões que precisam ser tomadas rapidamente e repassar alertas sobre novos golpes.







