A Polícia Federal identificou indícios de desvio em uma emenda parlamentar de R$ 199 mil enviada pelo senador Flávio Bolsonaro a um projeto de futebol do Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), no Rio de Janeiro. A liberação dos recursos foi tratada por uma assessora do senador com Robson Calixto, conhecido como Peixe, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco.
O repasse foi destinado à entidade localizada no bairro Taquara, área de influência de Chiquinho Brazão e Domingos Brazão. Os dois foram condenados pelo STF como mandantes da morte de Marielle e por chefiarem uma milícia na zona oeste do Rio de Janeiro. Calixto recebeu pena de 9 anos de reclusão por integrar o grupo.
As conversas entre Calixto e Maria de Fátima Bezerra Castro foram obtidas pela PF a partir de um celular apreendido em março de 2024, durante uma operação relacionada ao caso Marielle. O contato do miliciano estava salvo como “Fafa Flávio Bolsonaro”.
Mensagens sobre a emenda
Nas trocas, Calixto pediu ajuda para obter recursos para o projeto. A assessora solicitou que ele encaminhasse um email ou ofício com o pedido. Em outra conversa, perguntou quando ele iria a Brasília. O miliciano respondeu que viajaria em Novembro e perguntou se seria possível conseguir ajuda.
As cobranças continuaram até março de 2024. Calixto pediu notícias sobre a liberação dos valores e afirmou que o senador não poderia esquecer o Ifop. Em 22 de março de 2024, escreveu que havia consultado as destinações parlamentares e não encontrado recursos do senador, mas que aguardava uma resposta.
A assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que os repasses seguiram a lei e critérios técnicos do Ministério do Esporte. Também declarou que a entidade apresentou notas fiscais dos materiais comprados e devolveu os valores não utilizados. “A responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária, não do parlamentar”, informou a assessoria.
Os registros também mostram um pedido de quatro ingressos para o desfile das campeãs no camarote Arpoador, na Sapucaí. Os investigadores classificaram a solicitação como vantagem indevida.
Em outubro de 2023, Maria de Fátima convidou um assessor de Chiquinho Brazão para uma cerimônia de entrega de coletes à Polícia Militar do Rio e sugeriu que ele cobrasse Flávio Bolsonaro pessoalmente pela liberação dos recursos.
Em julho, a PF realizou uma operação para investigar suspeitas de desvios de emendas destinadas por Chiquinho Brazão a organizações não governamentais no Rio. A apuração envolve suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, além do uso de empresas interpostas e pagamentos indevidos para ocultar a origem e o destino dos valores.
O advogado de Robson Calixto, Gabriel Habib, não respondeu aos contatos. Cleber Lopes, que representa Chiquinho Brazão, informou que não se manifestaria. A defesa de Domingos Brazão disse não cuidar do tema relacionado às emendas.







