Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

PF aponta pedido de reunião de Eduardo e Flávio com Vorcaro sobre filme

Mensagem apreendida pela PF relaciona pedido de encontro ao dia em que Eduardo anunciou que permaneceria nos Estados Unidos.

PF: Eduardo e Flávio pediram reunião com Vorcaro em dia de mudança aos EUA
Foto: Reprodução

Uma mensagem enviada ao banqueiro Daniel Vorcaro registra que os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro queriam marcar uma reunião para tratar do filme “Dark Horse”. O pedido ocorreu no mesmo dia em que Eduardo anunciou que havia decidido permanecer nos Estados Unidos.

A mensagem foi encaminhada às 9h34 de 18 de março de 2025 pelo publicitário Thiago Miranda, que intermediava as tratativas. “Flavio B e Eduardo querem marcar uma agenda com vc. Filme.”, escreveu Miranda a Vorcaro, dono do Banco Master.

Às 11h37, Eduardo publicou uma convocação para uma live em que anunciaria a decisão de ficar nos Estados Unidos. O relatório da Polícia Federal não informa se Vorcaro respondeu ao pedido nem se a reunião chegou a ocorrer.

O documento integra o inquérito que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento do filme. Eduardo e Flávio estão entre os investigados. A PF também apura se parte do dinheiro teria sido usada para manter Eduardo nos Estados Unidos.

Eduardo afirmou, em nota, que nunca conversou ou se reuniu com Vorcaro e negou relação entre sua mudança e os recursos destinados ao filme. A equipe de Flávio não comentou. Ele tem negado irregularidades e defendido o fim do sigilo da investigação.

Repasses e gestão dos recursos

Segundo o relatório, Vorcaro fez o primeiro repasse pouco mais de um mês antes do anúncio de Eduardo. Outros dois pagamentos ocorreram seis dias depois. O documento foi tornado público por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Eduardo está nos Estados Unidos desde 27 de fevereiro de 2025. Na época do primeiro repasse, de US$ 2 milhões em 13 de fevereiro de 2025, ele estava em sua terceira viagem ao país.

A proposta de financiamento previa 14 parcelas, com as duas primeiras de US$ 2 milhões em janeiro de 2025 e outras 12 de US$ 1,66 milhão. O primeiro pagamento, porém, ocorreu em data diferente da prevista no documento.

Os recursos foram enviados pela empresa Entre Investimentos ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo. Em 21 de março de 2025, três dias depois do pedido de reunião e do anúncio de Eduardo, o relatório registra que ele orientou como o dinheiro poderia ser administrado nos Estados Unidos.

Em 24 de março, foram registrados dois repasses, de US$ 2 milhões e US$ 1,66 milhão. A PF identificou ainda quatro transferências de US$ 1,66 milhão em 2025: duas em 25 de abril, uma em 29 de maio e outra em 16 de setembro.

Suspeitas investigadas

A demora nos pagamentos levou Flávio a cobrar Vorcaro, de acordo com o relatório. O atraso também aparece em mensagens entre Vorcaro e o cunhado Fabiano Zettel. Em 28 de janeiro de 2025, Zettel afirmou que um repasse não havia sido feito. Vorcaro respondeu: “Esse é o mais importante disparado” e “não pode mais falhar”.

Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, confirmou em delação premiada ter enviado US$ 12 milhões (R$ 72 milhões) ao Havengate.

A PF informou que Flávio negociou US$ 24 milhões (R$ 134 milhões) com Vorcaro para financiar o filme, produzido em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao pedir a abertura da investigação, a polícia apontou a necessidade de esclarecer a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores.

Entre os pontos analisados estão o contrato de financiamento, considerado pela PF como discrepante em relação aos custos de produções brasileiras; o fluxo de pagamentos; a orientação para que os valores fossem enviados pela Entre Investimentos; as tratativas de Eduardo sobre a estrutura financeira; e as cobranças feitas por Flávio.

Na nota, Eduardo disse que não teve contato com Vorcaro, pessoalmente ou por videoconferência, nem por WhatsApp. Também afirmou que não há relação entre sua permanência nos Estados Unidos e o dinheiro destinado a “Dark Horse”.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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