SÃO PAULO — A Polícia Civil investiga o furto ocorrido na noite deste domingo (20) em um imóvel de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo. Documentos e cartões bancários de Milton Leite, ex-vereador pelo União, foram encontrados na casa. A relação do político com o endereço ainda está sob apuração.
A Polícia Militar foi chamada por uma vizinha por volta das 21h e encontrou o imóvel, na rua General Bráulio Guimarães, revirado. O portão da garagem também tinha sido danificado, conforme a Secretaria da Segurança Pública (SSP).
O que foi levado
Os suspeitos furtaram o equipamento responsável pelo armazenamento das imagens das câmeras do circuito interno. A polícia ainda investiga se outros objetos foram levados.
Sobre o sofá, os agentes encontraram R$ 19.261 em dinheiro vivo, que não foi levado. Também foram apreendidos uma carteira com quatro cartões bancários, uma cópia autenticada da CNH e um cartão de sócio do Corinthians, além de outros documentos em nome de Milton Leite.
A equipe policial e os peritos recolheram ainda dois sacos plásticos lacrados com listas de nomes e valores. Um advogado esteve no local e afirmou, conforme o boletim de ocorrência, que a residência pertenceria à empresa Lesimo (Sonda Projetos e Construção LTDA).
Dados da Junta Comercial paulista indicam que Milton Leite está entre os cinco sócios da Lesimo, que também tem três empresas entre os integrantes da sociedade. Ele aparece como administrador, com R$ 180 mil de participação. A empresa atua com perfurações e sondagens, além de aluguel, loteamento, compra e venda de imóveis.
A sede registrada fica na avenida do Rio Bonito, em Socorro, endereço que está a 6 quilômetros do imóvel furtado. A ficha cadastral não menciona a casa da rua General Bráulio Guimarães.
Prisão e investigação
Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, está preso temporariamente em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Ele se entregou depois que a Operação Vectura Corrupta expediu um mandado contra ele.
A ação é conduzida pela Polícia Civil com o Gaeco, do Ministério Público, e apura a infiltração de integrantes do PCC em concessionárias de transporte coletivo e possíveis fraudes em licitações municipais. Investigadores apontam Leite como gestor direto e dono de fato da concessionária Transwolff.
O advogado Aloísio Lacerda Medeiros negou as acusações. “Milton está tranquilo. Não tem nada a ver com a história”, afirmou. Leite também negou qualquer vínculo com o PCC e disse que sua relação com o setor de transporte foi institucional.
A investigação inclui ainda Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande. A apuração indica que empresas de ônibus teriam passado a ser geridas por integrantes do crime organizado após obterem contratos com o poder público.








