Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Tarcísio e Kassab negam acusação de propina ligada a doações de 2022

Declaração atribuída a Daniel Vorcaro relaciona doações eleitorais ao Credcesta; governador e ex-secretário negam irregularidades.

Entorno de Tarcísio cobra explicações de Kassab sobre declaração de Vorcaro
Foto: Mônica Andrade/Governo de SP

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e Gilberto Kassab (PSD), ex-secretário de Governo, negaram irregularidades após Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e investigado no escândalo do Banco Master, relacionar doações eleitorais de 2022 a uma suposta propina.

Em proposta de delação premiada, Vorcaro afirmou que R$ 5 milhões destinados às campanhas de Tarcísio e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teriam sido negociados como propina. Do total, R$ 2 milhões foram para a campanha do governador e R$ 3 milhões para a do ex-presidente.

Os repasses foram realizados por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também investigado na Operação Compliance Zero. Segundo o ex-banqueiro, os valores seriam contrapartidas financeiras relacionadas a um suposto acordo com Kassab para a manutenção do Credcesta no governo paulista.

O conteúdo atribuído a Vorcaro consta em delações que foram negadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A declaração foi revelada em 3/9.

Respostas de Tarcísio e Kassab

Pessoas próximas ao governador avaliam que Tarcísio já se manifestou sobre o caso e que Kassab deve prestar os esclarecimentos. Aliados afirmam que o governador disse não conhecer Zettel e que, quando era candidato, não sabia do contrato relacionado ao Credcesta.

Kassab negou ter tido relação com Vorcaro ou com a doação destinada às campanhas. “Que se apure. Vocês vão ver que é fantasioso isso”, afirmou. Ele também declarou que não apoiou Bolsonaro para presidente.

Tarcísio classificou a acusação como uma ilação sem sentido e afirmou que nunca esteve com Vorcaro ou Zettel. O governador disse ainda que a instituição responsável pelo Credcesta foi credenciada para operar em São Paulo durante a gestão de João Doria (PSDB), seguindo os requisitos do Banco Central.

De acordo com Tarcísio, 217 instituições fazem consignação no estado. Ele afirmou que o credenciamento depende do cumprimento das exigências do Banco Central e que a autorização da empresa foi desfeita após a liquidação do Banco Master.

Kassab participou da mesma agenda de Tarcísio, em um evento de lançamento da candidatura de Rogério Nogueira (PSD) a deputado estadual. Os dois permaneceram em lados diferentes do palco.

Nota do governo paulista

O governo de São Paulo declarou que Tarcísio nunca teve contato ou relação com Vorcaro e que não tinha conhecimento do fato mencionado. Também afirmou que a campanha de 2022 teve mais de 600 doadores, seguiu a legislação eleitoral e apresentou prestação de contas aprovada pela Justiça Eleitoral.

Sobre o sistema de consignações, a administração estadual informou que o credenciamento público é regulamentado há mais de dez anos. Segundo a nota, mais de uma centena de instituições estão habilitadas a operar o serviço.

A PKL One Participações S.A., responsável pelo cartão Credcesta, recebeu o credenciamento como consignatária em maio de 2022, ainda na gestão anterior. O governo informou que as operações foram suspensas em 19/02/2026, após a liquidação extrajudicial das instituições.

A administração paulista também afirmou que o credenciamento não é um contrato com o Estado nem envolve repasse de recursos públicos. Trata-se de uma habilitação para que servidores escolham, entre as instituições autorizadas, aquela com a qual pretendem fazer operações consignadas.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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