A candidata Simone Tebet (PSB) acusou Guilherme Derrite (PP) de ter conduzido mudanças que, na avaliação dela, endureceram as punições para integrantes de menor escalão e retiraram mecanismos capazes de atingir chefes de organizações criminosas. O confronto ocorreu em debate entre candidatos ao Senado por São Paulo, nesta segunda-feira (21).
Tebet criticou a atuação de Derrite como secretário de Segurança Pública de São Paulo e como relator do chamado PL das Facções na Câmara dos Deputados. Para ela, o projeto concentrou as punições nos criminosos que estão na base das organizações e deixou de atingir seus comandantes.
“[O projeto] puniu o andar de baixo, o pequenininho que está com a arma na mão, mas protegeu as organizações criminosas”, afirmou. Entre os pontos citados pela candidata estão alterações relacionadas à competência do Tribunal do Júri e ao combate ao patrimônio das organizações criminosas.
Derrite negou que seu trabalho tenha favorecido facções. O candidato disse que o projeto seria uma ferramenta jurídica para combater a lavagem de dinheiro e mencionou medidas sobre o perdimento de bens e a intervenção em empresas usadas para ocultar recursos.
Questionamentos sobre o Banco Master
O debate também incluiu acusações sobre o Banco Master. Tebet afirmou que o PP deveria explicar as relações de dirigentes do partido com o banqueiro Daniel Vorcaro. Depois, questionou Derrite sobre a renovação de um contrato com a instituição quando ele ocupava a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
“Quando foi secretário de Segurança Pública, agora no finalzinho do ano passado, depois do escândalo já todo denunciado, quase às vésperas da prisão desse banqueiro, aceitou que a Secretaria de Segurança Pública renovasse um contrato com Banco Master”, disse Tebet. Ela afirmou que o acordo envolvia crédito consignado para servidores públicos militares e que Derrite ainda não havia apresentado explicações.
Derrite negou ter relação pessoal ou contratual com o banco e disse que nunca recebeu nem conversou com Vorcaro ou representantes da instituição. Segundo ele, o crédito consignado foi contratado antes de sua gestão, em 2022, diretamente com a Polícia Militar. A Secretaria de Segurança Pública, afirmou, não teria interferência no contrato.
Segurança pública
Antes da discussão sobre o projeto, Tebet afirmou que a Polícia Civil paulista estava sucateada, com falta de policiais e baixa taxa de conclusão das investigações. Ela também questionou a política de valorização dos agentes e citou a saúde mental dos policiais.
Derrite atribuiu os problemas à impunidade e defendeu mudanças na legislação criminal. O candidato ainda criticou a participação de Tebet no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que ela esconderia seus apoios políticos durante a campanha.
Tebet respondeu que não esconde o apoio a Lula e declarou ter orgulho de ter participado do governo, apesar das divergências políticas e econômicas. Depois, voltou a questionar a atuação de Derrite e retomou o caso do Banco Master.






