A assacu (Hura crepitans) é uma árvore nativa da Amazônia e também encontrada em diferentes áreas da América Central. Conhecida como árvore-do-diabo e árvore-dinamite, a espécie reúne três características de risco: tronco com espinhos, frutos que podem estourar quando amadurecem e látex leitoso extremamente tóxico.
A árvore pode chegar a 40 metros de altura e pertence à família Euphorbiaceae, a mesma do bico-de-papagaio e da mandioca, explica o professor de ciências biológicas Stefano Salvo Aires, da Universidade Católica de Brasília (UCB).
Por que os frutos estouram
Com o ressecamento, os frutos acumulam tensão mecânica. Quando chegam ao limite, liberam as sementes por meio de uma pequena explosão, lançando-as para longe. O impacto pode atingir pessoas que estejam próximas durante a coleta.
“O fruto, quando maduro, libera as sementes por meio de uma pequena explosão”, alerta o professor Rodrigo de Andrade Kersten, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
Os espinhos do tronco podem perfurar a pele. Já as folhas e o caule, quando cortados, liberam uma seiva que pode provocar queimaduras graves pelo contato. Segundo Kersten, esse mecanismo ajuda a evitar a predação.
Toxicidade e usos tradicionais
O látex da assacu é conhecido popularmente como leite de assacu, mas não é comestível. A ingestão pode causar queimaduras em todo o trato digestivo, intoxicação e atordoamento.
Apesar dos riscos, a árvore é utilizada por comunidades tradicionais, especialmente indígenas e ribeirinhas. Seus usos incluem aplicações medicinais como antirreumático, anti-helmíntico e no tratamento de furúnculos. O manejo, porém, deve ser feito com muita cautela por pessoas que conheçam a planta, afirma Aires.
O látex também é usado por algumas comunidades indígenas na pesca. O líquido é passado em flechas de caça, que são lançadas na água para atordoar os peixes e facilitar a captura.
Como agir em caso de contato
O contato do látex com a pele pode provocar erupções cutâneas vermelhas, queimaduras graves e irritação severa. Se atingir os olhos, pode causar cegueira temporária.
Em qualquer contato com o líquido, a orientação é lavar a área com água corrente e procurar imediatamente atendimento em uma unidade hospitalar mais próxima.







