Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Cloud-9 pode ser o primeiro halo escuro observado sem estrelas

Imagens ultraprofundas não detectaram luz estelar e limitaram a massa de estrelas do objeto a 16 mil vezes a do Sol.

Cloud-9 pode ser o primeiro halo escuro observado sem estrelas

A Cloud-9 se tornou a candidata mais promissora a uma galáxia sem estrelas após novas observações não identificarem qualquer luz estelar em sua região. As imagens foram obtidas com sensibilidade cerca de dez vezes maior que a das observações anteriores.

O objeto foi descoberto no início deste ano por meio de observações de rádio. Elas indicam a presença de uma quantidade de hidrogênio equivalente a cerca de um milhão de massas solares. A Cloud-9 é uma nuvem com aproximadamente 4,9 mil anos-luz de extensão e é considerada o primeiro exemplo de uma classe chamada Nuvens de Hidrogênio Limitadas pela Reionização, ou RELHICs.

O que os pesquisadores estimaram

Com o instrumento HiPERCAM, instalado no Gran Telescopio Canarias, nas Ilhas Canárias, na Espanha, a equipe investigou se havia estrelas no objeto. Como nenhum sinal foi encontrado, os pesquisadores estabeleceram um limite máximo para a quantidade de estrelas que a Cloud-9 poderia conter.

Considerando a possibilidade de uma população primordial de estrelas, a massa estelar não passaria de 16 mil vezes a massa do Sol. Em uma região com volume equivalente ao da Cloud-9 nas proximidades do Sol, haveria dezenas de milhões de estrelas.

“Esse novo limite superior para a massa estelar, baseado exclusivamente em imagens ultraprofundas, apoia a ideia de que a Cloud-9 é uma excelente candidata a uma galáxia sem estrelas”, escreveram os autores do estudo.

A relação com a matéria escura

De acordo com o modelo cosmológico padrão, as galáxias se formaram dentro de concentrações de matéria escura, que interage apenas por meio da gravidade e não pode ser observada diretamente pelos telescópios. Entre essas estruturas estão os halos escuros, concentrações menores que também são esperadas no Universo.

A Cloud-9 estaria na extremidade superior da faixa de massa prevista para esses halos. Essa condição permitiria que o objeto preservasse seu gás e fosse detectado por observações de rádio como uma RELHIC. Gagandeep Anand, do Space Telescope Science Institute (STScI), afirmou que a Cloud-9 está nessa faixa e consegue reter o gás.

Se for um halo escuro, a proporção entre matéria escura e matéria comum seria de aproximadamente cinco mil para um. Na maioria das galáxias, essa relação fica em torno de cinco para um.

Andrew Fox, da AURA/STScI para a Agência Espacial Europeia (ESA), explicou que a massa também pode estar relacionada à ausência de estrelas: se fosse maior, a Cloud-9 entraria em colapso; se fosse menor, perderia o gás. Antes dela, a J0613+52 era outra candidata, mas fica a aproximadamente 270 milhões de anos-luz da Terra e tem características diferentes.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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