A graduação passou a fazer parte de diferentes momentos da vida profissional, inclusive para quem decide estudar depois de anos de trabalho. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 20,5% das pessoas com 25 anos ou mais tinham ensino superior completo em 2024. Em 2023, esse índice era de 19,7%.
A faculdade pode ser procurada por quem deseja mudar de área, buscar uma promoção, assumir novas responsabilidades ou retomar um projeto interrompido. A escolha também pode surgir quando o profissional identifica a necessidade de uma formação específica para continuar avançando na carreira.
Experiência profissional pode ser aproveitada
Nem todos conseguem iniciar o ensino superior logo depois do ensino médio. Trabalho, responsabilidades familiares, questões financeiras e dúvidas sobre a carreira podem adiar a entrada na faculdade.
Começar uma graduação aos 25, 35 ou 45 anos não significa necessariamente partir do zero. A experiência acumulada pode ajudar o estudante a relacionar os conteúdos acadêmicos com situações conhecidas do mercado de trabalho.
A mudança na dinâmica das profissões também aumentou a necessidade de atualização. Novas tecnologias, ocupações que não existiam anteriormente e transformações nos modelos de negócio fazem com que voltar a estudar passe a integrar o planejamento de parte dos trabalhadores.
Ensino a distância ganha espaço
O Censo da Educação Superior 2024 registrou 10.227.266 matrículas em cursos de graduação no Brasil. Desse total, 5.189.391 eram na modalidade de ensino a distância (EaD), o equivalente a 50,7%.
As matrículas em cursos a distância cresceram 5,6% entre 2023 e 2024. Na comparação com 2014, o aumento foi de 286,7%. No mesmo período, as matrículas presenciais recuaram 22,3%.
Os números mostram a presença central do EaD no ensino superior brasileiro, mas não indicam que a modalidade seja adequada para todos os estudantes ou cursos. Para quem trabalha em horário comercial, mora longe de centros educacionais ou tem uma rotina variável, a flexibilidade pode facilitar a organização dos estudos.
Essa flexibilidade, porém, não significa estudar menos. O aluno precisa acompanhar as disciplinas, cumprir prazos, realizar avaliações e reservar tempo para as atividades acadêmicas. Antes da matrícula, é importante verificar a matriz curricular, a estrutura oferecida, os canais de atendimento, a interação com professores e as eventuais atividades presenciais ou obrigatórias.
Como conciliar estudo e trabalho
O planejamento da faculdade precisa considerar uma rotina possível. Antes da matrícula, o estudante pode identificar os horários que realmente estarão disponíveis para as atividades acadêmicas e reservar períodos fixos para estudar.
Também é útil consultar o calendário acadêmico no início de cada período, antecipar semanas com provas e trabalhos e dividir tarefas longas em etapas menores. Acompanhar os prazos desde o começo ajuda a evitar o acúmulo de atividades.
Manter um espaço adequado para concentração, avisar pessoas próximas sobre os horários de estudo e revisar a agenda em semanas de maior demanda profissional ou familiar são outras medidas que podem facilitar a organização. Procurar orientação acadêmica ao identificar dificuldades também pode ajudar.
O planejamento deve permitir ajustes, já que mudanças de agenda são frequentes na vida adulta. Uma programação adaptável pode ser mais sustentável do que uma rotina rígida.
Escolha deve considerar objetivo e rotina
A decisão pelo curso deve partir do motivo que levou o estudante a voltar para a faculdade. Mudar de área, crescer na profissão atual e concluir um projeto interrompido são objetivos diferentes e podem exigir formações distintas.
Além da matriz curricular e da duração, é importante comparar a organização das disciplinas e as formas de avaliação. No EaD, a análise pode incluir os recursos digitais, os canais de atendimento, a interação com professores e colegas e a necessidade de comparecimento presencial.
A graduação, portanto, não está necessariamente concentrada no início da vida adulta. A experiência de trabalho pode servir de referência para compreender os conteúdos e identificar aplicações práticas. A escolha depende do objetivo profissional, do tempo disponível e da modalidade que melhor se adapta à rotina.







