Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Perseverance identifica três fases de ação da água em rochas de Marte

Análise na cratera Jezero mostrou que rochas ígneas foram alteradas por água subterrânea, lago antigo e circulação de água quente.

Perseverance identifica três fases de ação da água em rochas de Marte
Foto: NASA/JPL-Caltech

Dados do rover Perseverance, da NASA, indicam que uma área da cratera Jezero foi modificada pela água em pelo menos três momentos distintos. As mudanças alteraram a composição química e o aspecto das rochas da chamada Margin Unit, localizada na borda interna da cratera e próxima à margem de um antigo lago marciano.

O rover chegou à região em setembro de 2023. Antes da análise, os cientistas esperavam encontrar rochas sedimentares formadas pelo acúmulo de areia. A expectativa também considerava a presença de minerais carbonáticos observada por sondas em órbita. Na Terra, esses minerais costumam estar associados a ambientes rasos de oceanos e lagos capazes de sustentar vida.

Em vez das rochas sedimentares previstas, o Perseverance encontrou rochas ígneas. Elas podem se formar em grandes profundidades, a partir de magma, ou surgir por atividade vulcânica na superfície. De acordo com a NASA, os cristais presentes nessas rochas preservam informações sobre o período em que elas se formaram.

Três episódios de interação com a água

A investigação contou com o instrumento SuperCam, instalado no mastro do rover. O equipamento identifica a mineralogia das formações geológicas a partir da luz refletida pelas rochas. Quando encontra um alvo de interesse, dispara um laser a até 6,5 metros de distância. A análise do espectro do plasma gerado permite determinar a composição química do material.

Até agora, o Perseverance examinou mais de 185 alvos de rocha na Margin Unit. A equipe conseguiu estabelecer a sequência das alterações provocadas pela água, mas ainda não determinou a idade de cada episódio.

No primeiro evento, água subterrânea rica em dióxido de carbono reagiu com a olivina das rochas. A reação formou carbonato nas fraturas situadas em áreas de menor altitude. Hoje, essas fraturas aparecem como estruturas elevadas, enquanto as rochas mais macias ao redor foram desgastadas.

O segundo episódio pode estar relacionado ao antigo lago da cratera. Parte das rochas também contém sílica. Eleni Ravanis, cientista planetária da University of Hawaii at Manoa e coautora do estudo, explicou que a transformação da olivina em carbonato pode deixar sílica como resultado. A equipe encontrou concentrações maiores desse mineral em rochas que estavam abaixo da linha d’água.

O terceiro evento envolveu a formação de veios minerais na porção leste da Margin Unit. Essas estruturas têm cerca de 25 centímetros de espessura e incluem sulfato de cálcio e fluorita. A fluorita chamou a atenção porque costuma se formar quando água quente circula por rochas vulcânicas. O achado aponta para uma etapa posterior de circulação de água subterrânea aquecida.

Pistas sobre o ambiente marciano antigo

Durante a exploração da Margin Unit, o Perseverance percorreu aproximadamente 265 metros de elevação. Nas áreas mais altas, encontrou rochas cristalinas e de granulação grossa, associadas à olivina, com poucos sinais de contato com água.

Essa unidade de olivina se formou a partir de magma em uma área profunda do subsolo. O resfriamento lento permitiu o crescimento dos cristais. As rochas chegaram à superfície depois que o material acima delas foi erodido.

Nas partes mais baixas, próximas ao antigo leito do lago, os grãos de olivina aparecem fraturados, com sílica entre eles. Carbonatos e sílica são relevantes para a busca por sinais de vida antiga porque, na Terra, a interação entre água e olivina pode liberar hidrogênio, usado como fonte de alimento por alguns microrganismos. A reação também produz minerais que podem preservar vestígios desses organismos.

“Marte constantemente nos surpreende”, disse Candice Bedford, pesquisadora da Purdue University e principal autora do estudo. Segundo ela, é raro que as condições encontradas sejam iguais ao que os dados orbitais indicavam.

A missão do Perseverance tem entre seus objetivos a astrobiologia, incluindo a busca por sinais de vida microbiana antiga. O rover também investiga a geologia e o clima passado de Marte, além de coletar e armazenar amostras de rochas e regolito marcianos.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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