O Sol ficou dois dias seguidos sem manchas visíveis. A primeira ocorrência foi registrada na sexta-feira (18), algo que não acontecia desde fevereiro. No sábado (19), a estrela manteve a face voltada para a Terra sem esses pontos escuros.
A calmaria, porém, não significa que o astro esteja completamente sem regiões ativas. Cientistas confirmam que ainda há manchas no lado oculto do Sol. Com a rotação da estrela em torno do próprio eixo, essas áreas devem voltar a aparecer nos próximos dias.
Por que as manchas solares ficam escuras
As manchas são regiões mais frias do que o restante da superfície solar. Enquanto o disco do Sol chega a cerca de 5.500°C, essas áreas apresentam temperaturas entre 3.500°C e 4.500°C. A diferença cria o contraste que pode ser observado da Terra com telescópios específicos.
O fenômeno está ligado ao campo magnético gerado pelo plasma, um gás quente formado por partículas eletricamente carregadas. Quando o magnetismo se concentra em uma região, ele bloqueia parte do calor que vem do interior da estrela. Com menos energia chegando à superfície, o local esfria e ganha aparência escura.
O acúmulo de energia nessas áreas também pode provocar erupções solares. Esses eventos lançam nuvens de partículas pelo espaço e podem afetar satélites, sistemas de navegação por GPS e redes elétricas. O mesmo processo está associado à formação de auroras boreais e austrais nas regiões polares.
O que a redução das manchas indica
A quantidade de manchas é usada como medida da atividade solar. O maior pico do atual Ciclo Solar 25 ocorreu em 8 de agosto de 2024, quando o Centro de Previsão do Tempo Espacial (SWPC), ligado à Administração Oceanográfica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), estimou 337 manchas solares. Foi a maior marca diária desde março de 2001.
A atividade do Sol varia em um ciclo natural com duração média de 11 anos, alternando períodos de Máximo Solar e Mínimo Solar. No último mínimo, entre 2018 e 2020, a estrela acumulou mais de 700 dias totalmente sem manchas.
A plataforma Spaceweather.com avalia que a ausência temporária reforça a expectativa de encerramento gradual do Ciclo Solar 25. Novas manchas ainda devem surgir com a rotação solar, mas períodos sem esses pontos tendem a se tornar mais frequentes nos próximos anos.







