Paulo Freire completaria 105 anos neste sábado (19). Nascido em 19 de setembro de 1921, no Recife (PE), o educador e filósofo construiu uma obra voltada ao diálogo, à autonomia dos estudantes e à participação ativa no processo de aprendizagem.
Declarado Patrono da Educação Brasileira em 2012, Freire discutiu temas que ultrapassam os métodos de alfabetização, como desigualdade, colonialismo, democracia, cultura e participação popular. Seu pensamento continua presente em escolas, universidades e experiências de educação popular dentro e fora do Brasil.
A trajetória do educador também inclui a atuação junto a trabalhadores rurais e movimentos sociais. Em 25 de maio de 1991, ele participou do lançamento de um projeto de alfabetização de jovens e adultos no assentamento Conquista da Fronteira, em Hulha Negra (RS). O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tem Freire como uma de suas referências pedagógicas na alfabetização e na formação realizada em assentamentos e acampamentos.
Após o golpe militar de 1964, Freire deixou o Brasil e passou pela Bolívia antes de seguir para o Chile. No país, atuou no Instituto Nacional de Desenvolvimento Agropecuário (Indap) e desenvolveu experiências de educação popular ligadas ao campo e à reforma agrária. Foi também durante o exílio no Chile que finalizou Educação como prática da liberdade e escreveu Pedagogia do oprimido.
Cinco livros para conhecer Paulo Freire
Educação como prática da liberdade, publicado em 1967, parte das experiências brasileiras de alfabetização de adultos e apresenta uma educação voltada à formação de sujeitos críticos e participantes da vida política e social. A obra também aborda a experiência de Angicos, no Rio Grande do Norte, que reuniu cerca de 300 trabalhadores em 1963.
Pedagogia do oprimido, escrita no Chile e publicada no Brasil em 1974, é a obra mais conhecida de Freire. O livro critica a chamada educação bancária, em que o professor deposita conhecimentos nos estudantes, e propõe a construção do saber por meio do diálogo.
Publicado em 1977, Cartas à Guiné-Bissau: registros de uma experiência em processo apresenta a atuação de Freire e do Instituto de Ação Cultural (Idac) na construção de um programa de alfabetização de adultos no país africano recém-independente. A obra relaciona educação, descolonização e reconstrução nacional.
Pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do oprimido, de 1992, retoma questões do livro mais conhecido do educador e combina memória, reflexão política e discussão pedagógica. Já Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa, publicado em 1996, discute a prática docente, a pesquisa, a reflexão crítica e o respeito aos conhecimentos dos estudantes.
Freire retornou definitivamente ao Brasil em 1980 e foi secretário municipal de Educação de São Paulo entre 1989 e 1991, durante a gestão de Luiza Erundina. Morreu em 2 de maio de 1997, aos 75 anos.








