SÃO PAULO — Uma placa que lembrava um protesto de estudantes da Faculdade de Direito da USP foi furtada do largo São Francisco, no centro de São Paulo. A peça ficava na calçada diante da instituição e trazia a inscrição: “Quantas pedras forem colocadas, tantas arrancaremos — 30-X-1973”.
A faculdade registrou um boletim de ocorrência e pretende fornecer as imagens de suas câmeras de segurança à polícia. A diretora da unidade, Ana Elisa Bechara, também conversou com o delegado responsável pela região. A intenção é comparar as gravações com imagens de outros equipamentos instalados no entorno para tentar identificar os responsáveis.
De acordo com a Secretaria Municipal da Cultura, a placa faz parte do acervo de obras de arte e monumentos em espaços públicos de São Paulo e é tombada pelo Condephaat, conselho de patrimônio do estado. A direção da faculdade afirmou que adotará as medidas necessárias para localizar e reinstalar a peça.
A unidade marcou uma reunião com o prefeito Ricardo Nunes, quando pretende solicitar a instalação de câmeras do Smart Sampa nas proximidades do largo São Francisco. O sistema municipal de videomonitoramento seria usado para tentar inibir furtos, atos de vandalismo e pichações.
Protesto contra mudança da faculdade
A placa recordava um episódio de 30 de outubro de 1973. Na ocasião, alunos retiraram a pedra fundamental do edifício que abrigaria a Faculdade de Direito no campus da USP no Butantã. A ação foi um protesto contra a transferência da unidade, que continua no prédio histórico do largo São Francisco.
Uma semana depois, os estudantes fizeram uma “missa de sétimo dia” para a pedra furtada, com foguetes, velas, discursos e hinos. O então reitor da USP, Orlando Marques de Paiva, declarou que os protestos resultavam de uma interpretação equivocada do projeto. Segundo ele, parte das atividades seria transferida para o Butantã, mas o prédio do largo continuaria recebendo a pós-graduação em direito.
A transferência não ocorreu, e o episódio passou a simbolizar a mobilização dos estudantes pela permanência da faculdade no centro da capital. Em nota, a direção afirmou que o furto causa “muita tristeza” e citou iniciativas recentes de preservação da região. A faculdade completará 200 anos em 2027.
Bechara afirmou que a instituição também trabalha para valorizar o largo São Francisco e o centro de São Paulo. Recentemente, a Faculdade de Direito entregou à Prefeitura de São Paulo um estudo para um projeto de requalificação do largo e do entorno. O trabalho foi contratado pela Fundação Arcadas e pela Associação dos Antigos Alunos e apresentado em cerimônia com a participação de Nunes.







