Empresas que desenvolvem sistemas avançados de inteligência artificial concordaram em adotar mecanismos próprios de segurança durante um encontro com Donald Trump na Casa Branca. O compromisso é voluntário e foi apresentado como “Acordo da Casa Branca sobre Superinteligência”.
O documento prevê acompanhamento dos modelos durante o treinamento e o uso, avaliações feitas por profissionais independentes e supervisão de comitês ligados aos conselhos de administração. Também estabelece que as companhias realizem reuniões regulares para definir padrões e boas práticas de segurança.
Quatro mecanismos de controle
O primeiro compromisso é criar controles internos capazes de acompanhar as capacidades e o comportamento dos modelos. Esses mecanismos deverão observar riscos relacionados à cibersegurança, à biossegurança e a ameaças químicas, além de tentar impedir que os sistemas acessem ou invadam outras estruturas sem intenção.
Cada empresa também deverá manter uma equipe própria para avaliar os controles, verificar o monitoramento e providenciar a correção de problemas. Outra exigência é a contratação de avaliadores ou auditores independentes, responsáveis por analisar se os procedimentos de segurança funcionam adequadamente.
A última frente prevê a criação de um comitê independente ligado ao conselho de administração. O grupo deverá acompanhar os relatórios produzidos pelas equipes internas e pelos avaliadores externos, além de monitorar a correção de eventuais falhas.
Mark Zuckerberg afirmou que as empresas aceitaram desenvolver controles internos robustos. Segundo o CEO da Meta, auditores deverão verificar esses procedimentos e encaminhar os resultados aos conselhos das companhias.
Acordo pode influenciar regras futuras
Trump classificou o compromisso como “moralmente vinculante”, mas Mike Johnson, presidente da Câmara dos Representantes, descreveu o documento como uma declaração voluntária de princípios da indústria.
O texto não exclui a possibilidade de que parte das medidas seja transformada em leis ou regulamentos no futuro. No encontro, porém, a proposta apresentada foi concentrar a segurança em estruturas criadas pelas próprias empresas, sem estabelecer uma nova obrigação federal.
Trump disse ainda que sua administração avalia criar um comitê com dez integrantes para supervisionar a segurança da IA. Ele não informou quem participaria do grupo.
O presidente também afirmou que não pretende interromper o desenvolvimento da tecnologia. Para ele, as empresas devem conduzir a autorregulação, enquanto órgãos como o Departamento de Justiça e o FBI já têm autoridade para agir em situações problemáticas.
Data centers e apoio às comunidades
Durante o almoço, Trump defendeu a expansão dos grandes data centers usados para treinar e operar sistemas de IA. Esses empreendimentos enfrentam resistência de comunidades estadunidenses por questões relacionadas ao consumo de eletricidade e aos custos para os serviços locais.
O presidente afirmou que as empresas deverão trabalhar com as comunidades onde as estruturas forem instaladas e fazer contribuições financeiras para essas regiões. Trump disse que as companhias fariam “contribuições enormes” para os locais que receberem os data centers.
Lisa Su, CEO da AMD, afirmou que deixou o encontro “muito encorajada”. Ela destacou que as empresas precisam demonstrar o potencial da tecnologia e, ao mesmo tempo, garantir sua segurança.
Segurança e liderança tecnológica
Dario Amodei, CEO da Anthropic, participou da reunião depois de ter conversado individualmente com Trump no domingo (27). Ele tem defendido medidas para enfrentar os riscos associados ao avanço dos sistemas de IA.
Após o almoço, Amodei afirmou que as regras para lidar com esses riscos ainda estão em discussão. “Todos nós precisamos trabalhar juntos para garantir que possamos vencer, e podemos vencer com segurança”, declarou.
O encontro reuniu Jensen Huang, da Nvidia; Mark Zuckerberg, da Meta; Sundar Pichai, do Google; Greg Brockman, da OpenAI; Elon Musk, da Tesla, da SpaceX e da xAI; Satya Nadella, da Microsoft; e Jeff Bezos, fundador da Amazon, além de Amodei.
Trump também afirmou que os Estados Unidos precisam preservar a liderança tecnológica sobre a China. O presidente disse que a segurança deverá combinar autorregulação e fiscalização conjunta.
Na mesma ocasião, Trump anunciou que havia assinado um documento para mudar oficialmente o nome de inteligência artificial para “superinteligência”. A expressão já é usada no setor para descrever sistemas hipotéticos ou futuros capazes de superar seres humanos em diferentes tarefas. Assim, o anúncio representa uma mudança de nomenclatura, não a criação de uma nova categoria tecnológica.







