Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Tecnologia

Mistura de concreto absorve CO₂ e aumenta resistência em testes de laboratório

Com zeólita e biocarvão de bambu, a formulação ZB5 capturou dióxido de carbono e teve melhor desempenho mecânico que o concreto convencional.

Mistura de concreto absorve CO₂ e aumenta resistência em testes de laboratório

Uma mistura de concreto absorveu 1,2 grama de CO₂ por dia em uma câmara de carbonatação e permitiu que o gás penetrasse 15 milímetros no material ao longo de sete dias. O resultado foi obtido com a formulação ZB5, desenvolvida por pesquisadores do Mepco Schlenk Engineering College.

A mesma composição também apresentou ganhos de resistência. Sua resistência à compressão chegou a 38,49 megapascais (MPa), aumento de 7,48% em relação ao concreto convencional. Já a resistência à tração alcançou 4,39 MPa, melhora de 15%.

A ZB5 foi feita com 50% de zeólita no lugar de parte do agregado fino e 1% de biocarvão de bambu substituindo parte do cimento. A zeólita é um mineral poroso, enquanto o biocarvão tem alto teor de carbono. As características dos dois materiais favorecem a captura de moléculas de gás.

Como os testes foram feitos

Liderada pela pesquisadora Srinivasan Revathi, a equipe avaliou diferentes formulações de concreto do tipo M35, usado em infraestruturas projetadas para tráfego moderado. Os pesquisadores substituíram parte do agregado fino por zeólita em proporções de 25% e 50%. Também trocaram parte do cimento por biocarvão de bambu nas concentrações de 0,5%, 1% e 1,5%.

Cada combinação foi submetida a testes de resistência à compressão, resistência à tração por compressão diametral, absorção de água e resistência ao impacto. O objetivo era identificar uma fórmula que capturasse CO₂ sem reduzir a resistência do material.

De acordo com os pesquisadores, o desempenho da ZB5 está ligado à interação entre a estrutura de aluminossilicatos da zeólita e a dureza do biocarvão de bambu. A combinação parece formar uma matriz de cimento mais densa e durável. A capacidade de absorção de carbono é associada à estrutura microporosa da zeólita e à quantidade de carbono presente no biocarvão.

O estudo foi publicado na revista científica Carbon Research, em 2024. Para Srinivasan Revathi, autora correspondente, “Não estamos apenas criando um concreto mais resistente, mas transformando um material de construção comum em uma ferramenta ativa para remediação ambiental”.

Limites e próximos passos

Os pesquisadores afirmam que o trabalho ainda é uma prova de conceito. Por isso, a mistura não deve substituir o concreto convencional antes de novos testes. Entre as possíveis aplicações citadas estão pavimentos de concreto, barreiras de proteção em rodovias e tubulações de esgoto.

A equipe pretende verificar se o material mantém a durabilidade e a capacidade de absorver CO₂ ao longo do tempo. Também estão previstos testes com outros tipos de biocarvão, diferentes classes de concreto e argamassa, além da avaliação do uso de biocarvão pré-umedecido. Os resultados deverão indicar se a tecnologia pode avançar para aplicações comerciais e industriais.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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