Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Tecnologia

Teste revela acesso remoto a sistemas e microfone de uma BYD Shark 6

Avaliação na Austrália mostrou que uma conexão sem senha permitia acionar recursos da picape, ouvir a cabine e acompanhar o veículo.

Uma falha de segurança na BYD Shark 6 permitiu acessar sistemas da picape sem senha e acompanhar sua localização durante um teste realizado em uma estrada nos arredores de Camberra. A avaliação foi conduzida pelo especialista em cibersegurança automotiva Dan Hreszczuk, a pedido da ABC.

Hreszczuk, cofundador da Fortify Labs, passou duas semanas analisando o veículo antes de realizar a demonstração. Durante o deslocamento, a cerca de 30 km/h, ele desligou os faróis, acionou os limpadores na velocidade máxima e lançou água no para-brisa. Também conseguiu travar as portas e reproduzir sons e imagens pela central multimídia.

A picape pesa 2,6 toneladas. Em determinado momento, o sistema de áudio repetiu uma mensagem de orientação ao motorista. Os freios e as câmeras não foram controlados remotamente, pois tinham proteções mais rigorosas.

“Foi mais fácil do que estávamos esperando”, afirmou Hreszczuk.

Microfone e celular

O acesso também permitiu ativar o microfone interno e acompanhar, em tempo real, o trajeto do veículo. Durante uma conversa entre o motorista e a mãe sobre internet banking, o especialista gravou o áudio, que incluía o comando “Hey Siri”.

Depois, quando o celular estava desbloqueado dentro da cabine, Hreszczuk usou os alto-falantes para tocar uma versão alterada da gravação. A assistente do iPhone respondeu aos comandos e informou dados como endereço, data de nascimento e contatos.

A demonstração indicou que uma vulnerabilidade no automóvel poderia ser usada para interagir com outros dispositivos presentes no interior do veículo. Entre os recursos acessados estavam a iluminação externa, os limpadores, o esguicho do para-brisa, as travas das portas, o sistema de áudio e a central multimídia.

Regras de segurança digital

Na Austrália, ainda não havia padrões mínimos obrigatórios de cibersegurança para carros. O governo havia iniciado consultas com o setor para criar exigências relacionadas à proteção digital e às atualizações de software. A previsão apresentada era de que as novas regras ainda levassem anos para entrar em vigor.

Hreszczuk resumiu o acesso obtido ao sistema: “Não precisei arrombar a fechadura porque a BYD deixou a porta da frente aberta”.

A BYD afirmou que os dados coletados são armazenados na Austrália e que não entregou nem entregaria informações de australianos às autoridades chinesas.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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