Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Tecnologia

IA e chips colocam Trump e Xi no centro da disputa tecnológica

Encontro entre os presidentes expôs divergências sobre controle da inteligência artificial, semicondutores e cooperação entre China e Estados Unidos.

IA e chips colocam Trump e Xi no centro da disputa tecnológica
Foto: Xinhua/Liu Bin

A concentração da produção de chips avançados em Taiwan ajuda a explicar por que a inteligência artificial e os semicondutores ocuparam espaço central nas conversas entre Donald Trump e Xi Jinping. Os dois presidentes se reuniram durante a tarde desta quinta-feira (24), antes do jantar de Estado oferecido na Casa Branca ao líder chinês.

Os Estados Unidos lideram o design de chips e o desenvolvimento de softwares e tecnologias essenciais para o setor. A fabricação dos componentes mais avançados, porém, está concentrada principalmente na Ásia, especialmente na Taiwan Semiconductor Manufacturing Company Limited (TSMC), maior fabricante de semicondutores do mundo.

Essa divisão tornou a cadeia tecnológica parte das discussões estratégicas entre Washington e Pequim. Nos últimos anos, o governo americano impôs restrições ao acesso chinês a equipamentos e softwares usados na produção de chips de ponta. O tema passou a ser tratado também como questão de segurança nacional.

Divergências sobre inteligência artificial

Trump afirmou que os Estados Unidos lideram a chamada superinteligência e que pretende preservar essa vantagem diante da China. Para o presidente americano, o desenvolvimento da tecnologia deve continuar, acompanhado de mecanismos para enfrentar possíveis problemas.

Na Organização das Nações Unidas, Trump havia rejeitado a criação de um sistema global para controlar a inteligência artificial. Durante a reunião com Xi, também declarou que os Estados Unidos estão à frente da China por muito nesse campo.

O presidente chinês apresentou outra ênfase. Xi defendeu que a IA permaneça sob controle humano e seja usada em benefício das pessoas. Também afirmou que China e Estados Unidos são nações líderes na área.

Em comunicado divulgado pela imprensa estatal chinesa, Xi disse que a competição não impede a cooperação. Segundo a nota, os dois países podem aproveitar seus pontos fortes, manter o diálogo sobre riscos e benefícios e trabalhar para evitar o uso indevido da tecnologia.

Os ministros das finanças dos dois países haviam discutido, no início desta semana, um mecanismo de notificação para incidentes envolvendo IA. China e Estados Unidos também mantêm uma trégua comercial que seria ampliada por dois meses, com duração até 10 de janeiro.

Executivos de tecnologia no jantar

O encontro reuniu dirigentes de empresas que atuam em chips, sistemas de IA, plataformas digitais e infraestrutura tecnológica. Entre os convidados estavam o presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang; Mark Zuckerberg, da Meta; Sundar Pichai, do Google; Tim Cook, da Apple; Sam Altman, da OpenAI; Elon Musk, ligado à Tesla, SpaceXAI e X; e Jeff Bezos, fundador da Amazon.

A presença dos executivos ocorreu em meio a divergências sobre os riscos e o ritmo de avanço da IA. Em 12 de setembro, Dario Amodei, da Anthropic, defendeu uma desaceleração coordenada entre empresas, citando o autoaperfeiçoamento recursivo dos sistemas.

Sam Altman, Elon Musk e Demis Hassabis concordaram com a proposta. Zuckerberg e Huang se opuseram. O executivo da Meta afirmou que os laboratórios já têm incentivos financeiros e jurídicos para desenvolver sistemas seguros. Huang classificou a segurança como um problema de engenharia e disse que as leis existentes cobrem a confiabilidade dos produtos.

O governo chinês reagiu ao artigo de Amodei por meio de um editorial do Global Times. O texto afirmou que a proposta buscaria conter o avanço chinês e preservar a liderança tecnológica americana.

Em julho, a China acusou empresas americanas de IA de usar modelos chineses em processos de treinamento por meio da técnica de destilação de modelos. Autoridades dos Estados Unidos também investigam companhias chinesas por suposto uso indevido de tecnologias americanas.

Taiwan e a relação entre os países

A posição de Taiwan, próxima à China e inserida em um cenário de tensões regionais, faz da ilha um ponto sensível para a cadeia global de tecnologia. Qualquer instabilidade na região é vista como um risco para o fornecimento de componentes avançados.

No comunicado chinês, Xi reiterou a posição de Pequim sobre a reunificação nacional e a integridade territorial. O presidente também pediu que os Estados Unidos se oponham à independência de Taiwan e tratem a questão com cautela.

O jantar de Estado encerrou o segundo dia da visita oficial de Xi Jinping a Washington. O cardápio incluiu velouté de abóbora amarela, robalo com crosta de gergelim e creme de baunilha com cereja ácida. Segundo um comunicado, os pratos usaram ingredientes americanos com uma influência chinesa sutil.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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