A Taste Labs atua em uma etapa em que os modelos de inteligência artificial ainda enfrentam dificuldades: a avaliação de respostas subjetivas, que envolvem criatividade, design e bom gosto. Fundada pela brasileira Thais Castello Branco há cerca de um ano, em Nova York, a startup fornece dados para o treinamento de modelos de AI, com foco em design e programação frontend.
A empresa trabalha com mais de mil especialistas, chamados de “Tastemakers”. Eles se cadastram na plataforma e passam por uma avaliação que inclui análise de portfólio, testes e entrevistas. Depois, podem receber para executar tarefas e participar de projetos voltados ao treinamento de sistemas de inteligência artificial. Entre os profissionais estão especialistas em design, programação frontend e crítica de arte.
“Muito da lógica por trás dos modelos é prever a resposta mais provável”, disse Thais. Segundo ela, esse método costuma funcionar em problemas objetivos, mas não garante a melhor solução em áreas como design e escrita, nas quais pode haver várias respostas adequadas.
A Taste Labs fornece dados para parte dos grandes laboratórios de AI, mas não divulgou os nomes dos clientes. A fundadora afirma que um dos principais desafios é medir o que é bom ou ruim e encontrar especialistas capazes de fazer essa avaliação em diferentes áreas.
O mercado também reúne empresas como Scale AI, avaliada em US$ 29 bilhões em sua última rodada, Surge AI, Handshakes e Mercor. Thais disse que essas companhias trabalham principalmente com dados em massa, enquanto os grandes laboratórios também procuram fornecedores especializados.
Além do fornecimento de dados, a startup criou recentemente uma vertical para desenvolver APIs destinadas a plataformas de vibe coding, agentes de AI e empresas de design como a Figma. A primeira API permite que agentes de inteligência artificial criem artes seguindo o padrão de uma marca. A ferramenta extrai características da identidade da empresa, organiza essas informações para leitura pelo agente e verifica se o resultado mantém o padrão de qualidade, segundo Thais.
Marcelo Afonseca, um dos fundadores, disse que a empresa pretende atuar tanto no treinamento dos modelos quanto na geração de resultados, oferecendo infraestrutura e APIs. De acordo com ele, o conhecimento obtido na preparação dos dados pode gerar informações úteis para a outra frente do negócio.
Desde a fundação, a Taste Labs captou duas rodadas. A mais recente ocorreu há dois meses, com fundos como CRV e Amplify Partners. Somadas, as rodadas totalizaram US$ 18,5 milhões.








