Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Tecnologia

O que permite à tela dobrável do iPhone Duo não quebrar

Vidro ultrafino, novos materiais e adesivos elásticos trabalham juntos para dar flexibilidade à tela do aparelho da Apple.

O que permite à tela dobrável do iPhone Duo não quebrar
Foto: Divulgação/Apple

A tela do iPhone Duo, primeiro smartphone dobrável da Apple, combina vidro ultrafino, diferentes formulações de materiais e técnicas de microengenharia. Apresentado pela empresa na quarta-feira (9), o aparelho tem uma tela de 7,6 polegadas que pode ser dobrada inúmeras vezes sem se quebrar.

A Apple entrou em um mercado que já conta com aparelhos dobráveis de Google, Samsung e Motorola. Durante a apresentação, John Ternus, novo CEO da empresa, disse que o dispositivo “vai redesenhar a experiência de usar um telefone dobrável”.

Por que o vidro consegue se curvar

O vidro comum é classificado pelos cientistas como um sólido amorfo. Embora tenha comportamento de sólido, seus átomos ficam organizados de forma semelhante à de um líquido. Quando uma peça espessa é dobrada, a parte externa da curva sofre muita tensão, o que pode provocar a quebra.

A redução da espessura muda esse comportamento. Um fio de cabelo humano mede, em média, entre 50 e 100 micrômetros. Já a camada de vidro usada na tela dobrável do iPhone teria menos de 30 micrômetros. Com essa dimensão, a tensão na superfície externa durante a dobra é menor, e o material tende a se curvar em vez de se partir.

John A. Rogers, professor de ciência e engenharia de materiais da Northwestern University, explicou que a rigidez à flexão diminui quando o material fica mais fino: “Se você tornar algo muito fino, fica mais fácil dobrá-lo.” Ele comparou esse efeito à diferença entre madeira e papel: ambos têm a mesma origem, mas a folha fina é flexível.

A composição também influencia

A flexibilidade não depende apenas da espessura. A formulação do vidro é outro fator considerado pelos químicos. O vidro convencional é feito com dióxido de silício, obtido da areia derretida. Também é possível usar trióxido de boro, material empregado principalmente em vidros de laboratório por sofrer pouca expansão e contração diante de mudanças de temperatura.

Quando produzido em uma camada fina, esse material de estrutura atômica amorfa pode ser dobrado com mais facilidade que o vidro convencional, conforme testes realizados em laboratório.

Várias camadas trabalham juntas

O vidro ultrafino é apenas um dos componentes da tela. O conjunto também inclui uma camada muito fina de plástico altamente transparente e resistente. Esse material é projetado para suportar centenas de milhares de ciclos de dobra sem ficar turvo ou apresentar deformações.

A união entre as partes é feita com adesivos opticamente transparentes. Viscosos e elásticos, eles funcionam de modo semelhante a um gel. Os adesivos mantêm as camadas unidas e permitem que elas deslizem umas sobre as outras quando a tela é dobrada sob tensão. Assim, a flexibilidade resulta da atuação conjunta dos materiais, e não de uma única tecnologia.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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