Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Historiador vê risco de uso político de acordo contra PCC e CV

Valério Arcary afirma que a adesão de 14 governos latino-americanos amplia as tensões e pode alimentar associações entre esquerda e narcotráfico.

Um acordo assinado por 14 países do chamado Escudo das Américas passou a classificar formalmente como terroristas organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Coordenado pelo governo dos Estados Unidos, o documento também relaciona 24 grupos considerados “narcoterroristas transnacionais” e prevê sanções contra pessoas envolvidas.

Para o historiador Valério Arcary, a adesão dos governos latino-americanos representa uma mudança no cenário político regional. Em entrevista, ele afirmou que a medida não deve ser analisada apenas como uma iniciativa do governo de Donald Trump, mas como parte de um alinhamento mais amplo.

Avaliação sobre a América Latina

Arcary relacionou o acordo ao discurso feito por Trump na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Na avaliação do historiador, o presidente dos Estados Unidos indicou disposição para usar força militar na América Latina em defesa dos interesses de Washington.

“Foi um discurso apocalíptico”, declarou Arcary. Segundo ele, a região é tratada pelos Estados Unidos como uma área de influência e uma reserva estratégica.

O historiador afirmou que Trump citou diretamente o México ao responsabilizar o país pela circulação do narcotráfico, mas não mencionou especificamente o Brasil. Ainda assim, Arcary disse que existe uma nova ameaça e que o governo brasileiro precisa considerá-la.

Na análise dele, o principal elemento novo é a participação da maioria dos governos latino-americanos. “É todo um contexto dramaticamente perigoso”, afirmou.

Impacto nas eleições brasileiras

Arcary também disse que o acordo ocorre às vésperas das eleições brasileiras e pode ser usado para relacionar setores da esquerda latino-americana ao narcotráfico. Para ele, a classificação de cartéis como organizações terroristas pode servir de pretexto para uma associação política entre grupos de esquerda e organizações criminosas.

O historiador ainda citou outras declarações e ações de Trump, como referências à anexação do Canadá e da Groenlândia e a ameaça de aniquilar a República Islâmica caso o governo de Teerã não aceite exigências dos Estados Unidos e do Estado de Israel. Na avaliação de Arcary, esses episódios indicam uma nova realidade nas disputas de poder internacionais e na América Latina.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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