Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) avaliam que a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos pode reabrir desgastes para a candidatura nas duas semanas que antecedem o primeiro turno das eleições presidenciais. A preocupação é que novas sanções contra autoridades brasileiras voltem a associar Flávio ao presidente norte-americano Donald Trump.
Integrantes da campanha consideram que a ligação entre Flávio e Trump perdeu espaço entre as críticas dos adversários ao longo da disputa. Também apontam como resultado positivo a estratégia de associar politicamente o presidente Lula (PT) ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O temor, agora, está nas articulações de Eduardo em território norte-americano. O ex-deputado defende novas sanções contra Moraes e afirma que pede punições ao ministro em diferentes agendas nos Estados Unidos. Para os estrategistas do PL, eventuais medidas oficiais de Washington poderiam recuperar a associação entre Flávio e o governo Trump justamente na reta final.
Declarações diferentes
Durante uma agenda em Vitória da Conquista, na Bahia, Flávio negou que exista ajuda do governo norte-americano à sua campanha. “Quem resolve a eleição é a gente aqui”, declarou o candidato.
No mesmo dia, Eduardo confirmou que solicita sanções contra Moraes e disse que as decisões dos Estados Unidos não dependem do calendário eleitoral brasileiro. “Em qualquer lugar que eu vou, peço sanção a Moraes”, afirmou.
A equipe de Flávio não critica necessariamente os ataques a Moraes. O próprio candidato elevou o tom contra o ministro e passou a usar os desdobramentos da crise institucional envolvendo o STF como um dos eixos de oposição ao governo Lula. O receio é que a atuação de Eduardo nos Estados Unidos faça a candidatura parecer alinhada às ações de Trump.
A avaliação considera também o desgaste causado por uma ofensiva comercial anterior contra produtos brasileiros. Na ocasião, Trump relacionou medidas de retaliação econômica à situação de Jair Bolsonaro (PL) e a decisões do Judiciário brasileiro, enquanto Eduardo defendia sanções nos Estados Unidos. O tema foi usado por adversários para responsabilizar a família Bolsonaro pelos prejuízos econômicos e pelos efeitos das tarifas.
Eduardo afirma que sua atuação em Washington também busca impedir novas retaliações comerciais contra exportadores brasileiros. “A gente sempre pede para que não aumente tarifas”, disse.
Apesar da preocupação, auxiliares de Flávio consideram positiva a cobrança feita recentemente pelo governo dos Estados Unidos ao Palácio do Planalto sobre o combate ao crime organizado. Em documento enviado ao Congresso norte-americano, Trump afirmou que o governo brasileiro falhou em enfrentar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), classificados por Washington como entidades terroristas, e cobrou “medidas enérgicas”.
A campanha pretende incorporar essa crítica aos discursos de Flávio para reforçar a pauta de segurança pública, sem atribuir explicitamente ao senador a responsabilidade pelas ações do governo Trump. A estratégia é manter distância de condutas estrangeiras e, ao mesmo tempo, explorar politicamente o tema nas diferenças apresentadas em relação ao governo Lula.







