A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de perda de visão em pessoas que usavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, indicada para o tratamento do diabetes e da obesidade. Os relatos envolvem Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro.
Os registros ainda são considerados suspeitos. Para a agência, o fato de um medicamento e uma doença aparecerem na mesma notificação não comprova que exista uma relação de causa e efeito.
A distribuição dos casos inclui cinco notificações relacionadas ao Ozempic, três ao Wegovy, duas ao Wegovy FlexTouch, duas ao Rybelsus e uma ao Mounjaro.
Alteração visual
A Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior (Noia) afeta o nervo óptico e pode causar perda repentina da visão, normalmente em um dos olhos. A alteração pode ocorrer quando a circulação sanguínea na área do nervo é reduzida. O nervo óptico é responsável por conduzir as imagens até o cérebro.
A condição é rara e pode estar relacionada a fatores como o diabetes, que eleva o risco de alterações nos vasos sanguíneos.
Em junho de 2025, a Anvisa determinou a inclusão da neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica nas bulas de medicamentos com semaglutida. A reação adversa passou a ser classificada como “muito rara” para Ozempic, Rybelsus e Wegovy.
Pesquisas avaliaram uma possível associação entre a semaglutida e a alteração visual. Os resultados, porém, ainda não permitem afirmar que o medicamento tenha causado os casos. Um dos estudos apontou aumento do risco entre usuários de semaglutida, mas os pesquisadores registraram limitações para definir uma relação de causa e efeito.
A Anvisa continua acompanhando as notificações. Pessoas com perda repentina da visão, visão turva ou piora rápida do quadro devem procurar atendimento médico. Se a condição for confirmada, a agência orienta interromper o tratamento com semaglutida.
A Novo Nordisk, fabricante de Ozempic, Wegovy e Rybelsus, informou que análises de estudos clínicos não identificaram aumento da ocorrência do problema entre usuários de semaglutida e avaliou como favorável a relação entre benefícios e riscos dos medicamentos. A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, disse que acompanha os dados de segurança e mantém diálogo com as autoridades reguladoras.







