A rede de aplicativos de namoro investigada pela Anthropic tinha recursos para dificultar a identificação dos softwares e esconder mecanismos de pagamento. Um controlador de interface era ativado apenas durante análises da loja de aplicativos, enquanto os nomes de classes eram alterados entre versões para evitar sistemas que detectam programas semelhantes.
A operação era mantida por um estúdio sediado na China e reunia mais de 20 aplicativos. Segundo a Anthropic, havia mais de 4.700 personagens controlados por inteligência artificial que se apresentavam como pessoas reais. Em duas semanas de abril de 2026, eles conversaram com pelo menos 25 mil usuários e produziram aproximadamente 2,36 milhões de mensagens.
Automação e participação humana
Cerca de 75% dos perfis exibidos aos usuários eram controlados pelo Claude, da Anthropic. Os outros 25% pertenciam a pessoas reais contratadas pela operação. As instruções dadas ao modelo proibiam que os personagens revelassem ser automatizados e orientavam que evitassem pedidos de fotos ou videochamadas sem encerrar o relacionamento.
Quando a conversa exigia uma chamada de vídeo ou uma confirmação em redes sociais, trabalhadores humanos assumiam a interação. Eles recebiam três sugestões de resposta geradas por outro modelo e escolhiam rapidamente o que enviar. A remuneração era feita por mensagens, chamadas de vídeo e interações em redes sociais.
O objetivo era prolongar as conversas. Mensagens e correspondências consumiam créditos nos aplicativos, que podiam ser recarregados com moedas virtuais. Um navegador interno também podia encaminhar pagamentos para processadores externos ou permanecer oculto, conforme uma ativação remota.
A Anthropic informou ter enviado dados sobre a operação à Apple e ao Google. A empresa bloqueou as contas associadas à rede e compartilhou informações com outros fornecedores de IA envolvidos na infraestrutura. O estúdio responsável não foi identificado nominalmente.
As marcas encontradas incluem DORA, DONI, ROMI, LUMA, JOVIA, KIRA, GRACECHAT, HAVEN, NALO e LOVIA. A investigação também descreve o uso de inteligência artificial para ampliar a quantidade de identidades e mensagens mantidas simultaneamente.







