Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Augusto Cury cresce nas pesquisas e retoma projeto político iniciado no PV

Candidato do Avante aparece em terceiro lugar nas pesquisas e já havia sido cogitado pelo Partido Verde para disputar a Presidência em 2009.

Augusto Cury: estreante e surpresa da eleição, escritor flertou com candidatura à Presidência 17 anos atrás
Foto: TV Globo/Reprodução

Augusto Cury aparece em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência e se tornou o nome mais bem colocado entre os candidatos que tentam romper a polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Aos 68 anos, ele disputa uma eleição pela primeira vez pelo Avante, mas sua aproximação com a política começou em 2009, quando foi filiado ao Partido Verde (PV).

Datafolha divulgada na quinta-feira (3) mostrou Cury com 8% das intenções de voto, seis pontos acima do resultado de agosto. Na Quaest, divulgada na quarta (2), ele registrou 10%, contra 2% na rodada anterior, de 14 de agosto.

O crescimento também ocorreu nos indicadores digitais. O Índice de Popularidade Digital (IPD), calculado pela Quaest em uma escala de 0 a 100, subiu de 37,8 para 54,5 pontos. O aumento de seguidores nas redes sociais levantou suspeitas em campanhas adversárias, mas Cury nega irregularidades e atribui o interesse à existência de uma “revolução silenciosa”. Até o momento, não há processos relacionados ao tema no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A legislação eleitoral permite o pagamento para ampliar o alcance de publicações de candidatos, desde que sejam respeitadas as regras. Já a contratação de influenciadores e o uso de perfis falsos ou automatizados para inflar o engajamento são proibidos.

Trajetória política

Nascido em Colina, no interior paulista, Cury é filho de Salomão Jorge Cury e Ana Regina Brait Cury. O pai, morto em 2024, foi advogado, empresário, produtor rural e vereador. Um dos irmãos do candidato, Salem Jorge Cury, tornou-se juiz federal.

Embora se apresente como outsider, Cury cresceu em uma família ligada à política. O pai exerceu cinco mandatos como vereador em Colina. Em 2009, o PV avaliou lançá-lo à Presidência nas eleições do ano seguinte. José Luiz Penna, presidente da legenda desde 1999, disse que o partido buscava um nome capaz de atrair eleitores.

Cury sinalizou interesse, mas a candidatura não avançou depois que Sarney Filho convidou Marina Silva, que acabou escolhida pelo PV. O escritor passou a colaborar na elaboração do programa de governo de Marina, especialmente na área da educação. Na época, rejeitou a definição de “guru” da então ex-ministra e afirmou ser apenas um amigo que torcia por ela.

O partido também consultou Cury sobre outros cargos, mas, segundo Penna, ele demonstrava interesse apenas pela Presidência. Depois do afastamento da política, voltou a se dedicar aos livros e às palestras. Em vídeo publicado nas redes sociais, Claudia Cury, uma de suas filhas, contou que o pai revelou à família, em 2010, o desejo de presidir o país, mas a ideia não foi bem recebida pelos familiares.

Entre as propostas defendidas naquele período estavam a transformação de todo o ensino médio em formação profissionalizante, a oferta de ensino universitário a distância em municípios com mais de 10 mil habitantes e a mudança do formato das carteiras nas salas de aula para “U”. No programa de governo de 2026, Cury mantém a defesa de maior integração entre ensino médio e formação técnica. A proposta sobre a disposição das carteiras não aparece no documento atual, que defende um ensino menos expositivo e maior participação dos alunos.

Livros, empresas e propostas

Cury é formado em Medicina, trabalhou como psiquiatra e psicoterapeuta e construiu carreira como escritor e empresário. Seu livro mais conhecido, “O vendedor de sonhos”, foi lançado em 2008 e adaptado para o cinema oito anos depois. Ele rejeita o rótulo de autor de autoajuda e afirma que essa definição é insuficiente para descrever sua obra.

À Justiça Eleitoral, declarou patrimônio de R$ 242 milhões, distribuído entre imóveis, participações empresariais, ações, fundos de investimento, créditos e saldos bancários. Há negócios ligados a educação, treinamento profissional, gestão emocional, publicação de livros, produção de conteúdo, agricultura, exploração florestal, imóveis, construção e participações societárias.

Foram identificados 31 CNPJs vinculados ao candidato ou a familiares. Desse total, 23 apareciam como ativos: 17 em São Paulo, 5 em Minas Gerais e um no Piauí. Entre as atividades estão o cultivo de laranja, cana-de-açúcar e soja, a produção de eucalipto, a exploração de espécies madeireiras, o aluguel de imóveis e a administração de participações.

Sete registros pertencem à Filadélfia Nature Participações e Empreendimentos. Em 2025, o Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais indeferiu pedido da empresa para cortar 233 árvores nativas isoladas na Fazenda Serra Branca. O órgão informou que a intervenção já havia sido realizada sem autorização. No ano anterior, também negou pedido para suprimir 994 hectares de Cerrado em área considerada de prioridade extrema para conservação.

Cury também pretende acabar com a possibilidade de reeleição caso seja eleito. “Um cargo não pertence a um homem, a um ser humano, nem a uma família”, declarou.

Na saúde, defende ampliar a telemedicina no sistema público para desafogar o SUS. Até 2023, ele foi sócio da Click Life e apresentado como embaixador da empresa. Cury nega manter relação com a companhia e afirma que sua experiência empresarial ajudou a compreender o uso da tecnologia.

Em 2025, a Click Life participou de uma licitação do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), mas foi desclassificada por não apresentar uma certificação exigida. A empresa contestou a decisão. O Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou por unanimidade o recurso em fevereiro de 2026, enquanto o mandado de segurança principal ainda tramita.

A carreira de escritor começou em 1998, com a publicação de “Inteligência Multifocal”. Em 2016, um levantamento apontava que Cury havia vendido 28 milhões de exemplares. Em 2017, dados da Nielsen indicaram que ele foi o autor brasileiro que mais vendeu livros no Brasil naquele ano. O site oficial do escritor afirma que suas obras são publicadas em mais de 70 países e que ele superou 42 milhões de exemplares vendidos.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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