Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Brasil registra 26 mortes de defensores ambientais em 2025, diz Global Witness

Relatório aponta que disputas por terra foram a principal causa dos homicídios e coloca o país em 2º lugar no ranking mundial.

Brasil registra 26 mortes de defensores ambientais em 2025, diz Global Witness

O Brasil registrou 26 assassinatos de defensores ambientais em 2025, mais que o dobro dos 12 homicídios documentados em 2024. Com o resultado, o país passou do 4º para o 2º lugar no ranking mundial de mortes de ambientalistas da Global Witness, divulgado nesta quarta-feira (16).

A posição é a mesma ocupada pelo Brasil em 2023 e 2022. Quase todos os casos registrados no país tiveram como principal causa disputas por terra. Desse total, sete estavam ligados a territórios indígenas e 14 envolviam agricultores familiares.

Rondônia e Pará concentraram, juntos, metade das mortes brasileiras. O relatório relaciona a violência à pressão sobre comunidades tradicionais causada pelo avanço das fronteiras agrícola e extrativista. A falta de definição sobre direitos fundiários deixa indígenas e pequenos agricultores expostos à grilagem de terras, à intimidação e à violência, afirma Gabriella Bianchini, chefe de parcerias da Global Witness.

O aumento ocorreu no mesmo ano em que Belém (PA) recebeu a COP30, cúpula das Nações Unidas sobre mudança climática. O encontro teve participação indígena recorde e incluiu compromissos relacionados aos direitos territoriais.

Cenário internacional

A América Latina foi a região mais perigosa para defensores ambientais em 2025, com 105 assassinatos — quase nove em cada dez mortes registradas no mundo. A Colômbia liderou a lista, com 39 homicídios. Quase metade das vítimas colombianas era indígena, e outras 15 eram agricultoras familiares.

O departamento de Cauca, no sudoeste colombiano, aparece como um dos centros da violência. A região fica próxima à fronteira com o Equador e a rotas de exportação pelo Pacífico. Segundo a Global Witness, o cultivo de coca aumentou cinco vezes na última década, em meio à influência de grupos armados colombianos e cartéis mexicanos.

O índice global caiu 15% em relação a 2024, quando foram registrados 142 assassinatos, e 37% na comparação com 2023, que teve 196 mortes. Desde 2012, início da série histórica da entidade, foram documentados 2.375 assassinatos e desaparecimentos.

Em 2025, quase três quartos das mortes foram de indígenas, com 47 vítimas, e pequenos agricultores, com 44. Sete indígenas mortos atuavam como guardas na proteção de seus territórios. Disputas por terra motivaram mais da metade das mortes, com 84 casos, seguidas por mineração, com 11, extração de madeira, com oito, e agronegócio, com seis.

A organização alerta que os números podem estar abaixo do total real devido à subnotificação. Entre os fatores estão a insegurança, mortes em massa durante conflitos e repressão à documentação de abusos. A Global Witness também afirma que os homicídios são a forma mais extrema de violência, em um cenário que inclui ameaças, campanhas de difamação e criminalização.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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