Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Caso Master gera 383 mil menções e amplia pressão sobre Flávio Bolsonaro

Monitoramento do Instituto Democracia em Xeque aponta maior repercussão do caso nos últimos 30 dias e vantagem da esquerda nas redes.

Relação com Master desgasta Flávio Bolsonaro nas redes sociais, mas direita reage

A divulgação de um áudio sobre a negociação do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, provocou 383 mil menções e cerca de 8,6 milhões de interações nas redes sociais nos dias 13 e 14 de maio. O levantamento monitorou mais de 16 mil perfis no Facebook, Instagram, YouTube, X e TikTok.

O filme foi patrocinado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em uma negociação conduzida pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os dados são do Instituto Democracia em Xeque (DX), que usou as ferramentas Talkwalker e DataLake, além de informações coletadas por APIs públicas das plataformas.

Esquerda lidera publicações e interações

O episódio teve a maior repercussão relacionada ao caso Master nos últimos 30 dias, segundo o instituto. A análise identificou 4.829 posts que mencionavam Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Desse total, 1.469 foram publicados por perfis de esquerda, 1.133 por perfis de direita e 676 por perfis classificados como imprensa.

Os perfis de esquerda também concentraram mais de 4 milhões de interações. A imprensa somou 3,5 milhões, enquanto os perfis de direita registraram 2,6 milhões. Para o DX, os resultados indicam que a denúncia teve uma reação política mais ativa entre os grupos progressistas e que não houve uma resposta unificada da direita.

O termo “Bolsomaster” ganhou espaço nas plataformas e foi associado ao desgaste da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. PT e PSOL lideraram as interações entre os partidos progressistas, com 591.715 e 561.579, respectivamente. O PL registrou 419.56 interações e atuou na defesa do senador.

Estratégias dos grupos políticos

Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, a estratégia de maior alcance foi a mobilização em torno do bordão “zero de Lei Rouanet”. A narrativa defendia que o filme não seria financiado com dinheiro público e que o senador teria pedido o patrocínio a Vorcaro quando o empresário não tinha acusações.

Os grupos de oposição responderam associando o caso ao termo “Roubanet” e a outros episódios, como o do detergente Ypê. Outra linha adotada por perfis de direita foi acusar Romeu Zema de traição. O ex-governador de Minas e pré-candidato à Presidência pelo Partido Novo havia publicado um vídeo criticando Flávio após a divulgação do áudio.

As publicações de maior engajamento, porém, trataram inicialmente da cobrança de valores feita por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro para a produção do filme. Também ganharam força questionamentos sobre declarações anteriores do senador a respeito de sua relação com o ex-banqueiro, depois que ele reconheceu a negociação.

O termo “lavanderia Master” também foi usado nas redes. Publicações destacaram que o financiamento de “Dark Horse” superou o de produções brasileiras como “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”. O tema foi relacionado ao envio de parte dos valores para uma empresa ligada a Eduardo Bolsonaro.

Os perfis progressistas ainda retomaram denúncias e referências à rachadinha, a Fabrício Queiroz, à aquisição de imóveis, à loja de chocolates e ao patrimônio de Flávio Bolsonaro. A queda da bolsa de valores e a alta do dólar no dia da divulgação do áudio também foram associadas ao impacto do episódio sobre a campanha do senador.

O relatório afirma que os canais de imprensa ajudaram a circular e validar a denúncia. Entre os perfis com mais interações, o primeiro registrou mais de 1 milhão. O levantamento conclui que o campo progressista transformou as informações sobre o áudio e o financiamento do filme em argumentos contra a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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