SÃO PAULO — A Polícia Civil e o Ministério Público investigam possíveis falhas e vazamento de informações na Operação Vectura Corrupta, que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) nas empresas de ônibus de São Paulo. Entre os pontos analisados está uma casa em Santo Amaro, na Zona Sul, que não foi incluída nos mandados de busca.
De acordo com a polícia, o imóvel não tem registro na Prefeitura de São Paulo nem matrícula em cartório. Documentos pessoais de Milton Leite foram encontrados no local, mas a ligação do espaço com o ex-vereador só foi confirmada depois que o advogado da Lesimo Sondagens Projetos e Construções Ltda. entregou as chaves na delegacia.
A empresa, proprietária da casa, atua nos setores de engenharia e perfuração de solos. Ela está registrada em nome de Milton Leite e de seu filho, o deputado estadual Milton Leite Filho.
A investigação também busca esclarecer pagamentos e verificar se uma lista encontrada no imóvel tem relação com figuras políticas do estado de São Paulo.
Prisão e suspeita de vazamento
Milton Leite foi alvo de um mandado de prisão na operação e permaneceu foragido por mais de trinta horas. A Polícia Civil revistou vários endereços ligados a ele, mas não o encontrou.
O delegado Fabrício Intelizano, de Mogi das Cruzes, afirmou que a possibilidade de vazamento será analisada durante a investigação. “A gente vai apurar isso [vazamentos] no curso da investigação”, declarou em uma coletiva de imprensa na quinta-feira (17).
Segundo o delegado, a maioria dos alvos foi localizada, e ainda não é possível afirmar que houve vazamento. A apuração deverá verificar se informações privilegiadas sobre a operação chegaram ao ex-vereador.
Os advogados de Milton Leite afirmam que a prisão foi fundamentada apenas em citações feitas por terceiros. A defesa também diz que ele usa medicamentos continuamente e precisa de acompanhamento médico regular. Em nota, informou que aguarda acesso integral aos autos para demonstrar a inocência do ex-vereador.







