O economista Daniel da Conceição, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), avaliou que a redução da Selic terá alcance limitado sobre a economia. Para ele, a diminuição de 0,25% não produz impacto suficiente para estimular de forma decisiva o investimento e a geração de empregos.
O Banco Central reduziu a taxa básica de juros de 14% para 13,75%. A decisão representa o quinto corte consecutivo. Em nota, o Comitê de Política Monetária do Banco Central informou que a desaceleração da inflação abriu espaço para a redução.
Conceição afirmou que os juros brasileiros permaneceram historicamente em nível elevado por um longo período, acima dos registrados no restante do mundo. Ele classificou o corte como “performática” e disse que o Banco Central tem conduzido as reduções com muita cautela.
Inflação e renda
Na avaliação do professor, quando a inflação deixa de parecer uma ameaça tão forte, o Banco Central pode reduzir os juros. Ele ponderou, porém, que a condução atual demonstra mais preocupação em mostrar uma atuação na redução das taxas do que em influenciar resultados econômicos.
Entre os efeitos esperados de uma queda nos preços está a possibilidade de os alimentos ficarem mais baratos. Isso aumentaria a renda real disponível das pessoas e poderia liberar recursos para outras atividades, com estímulo a setores diferentes.
O economista ressaltou que é necessário observar a origem da redução dos custos. Para ele, o cenário mais favorável é aquele em que a desinflação ocorre pela queda dos custos, sem diminuir a renda da população. “As coisas são sempre encadeadas”, afirmou Conceição.







