Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Douglas Ruas é alvo de questionamentos sobre negócios, família e gestão pública

Apurações envolvem empresas ligadas ao candidato, contratos públicos, patrimônio e a trajetória política da família em São Gonçalo.

Rio de Janeiro - Acusações de ligação com milícia e política como negócio de família: conheça as suspeitas que cercam Douglas Ruas

Douglas Ruas, candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro, é alvo de questionamentos relacionados à atuação política de sua família, a contratos públicos, negócios empresariais e investigações do Ministério Público. O histórico inclui episódios envolvendo seu pai, Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo, além de relações políticas e empresariais construídas no município.

Capitão Nelson foi citado na CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio, em 2008, a partir de informações do Disque-Denúncia que o relacionavam a um grupo paramilitar. O inquérito foi arquivado, sem condenação ou processo em andamento por aquele episódio. Em 2024, Nelson apresentou à Justiça Eleitoral uma certidão informando que não respondia a processo relacionado ao caso.

Antes de chegar à Assembleia Legislativa e ao governo estadual, Douglas ocupou a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais na administração do pai. Seu irmão, Nelson Ruas Filho, é vereador em São Gonçalo. A pasta comandada por Douglas formulava convênios para o município receber recursos estaduais e federais.

Desde 2020, São Gonçalo recebeu R$ 250,5 milhões do chamado orçamento secreto. Desse total, R$ 17,2 milhões foram destinados à pavimentação por indicação do deputado federal Altineu Côrtes, presidente estadual do PL e antigo empregador de Douglas.

Contrato com empresa de doador

Na campanha de Douglas para a Alerj em 2022, o empresário Carlos Freitas Neves doou R$ 160 mil. Três anos depois, uma empresa controlada por Neves assinou contrato de R$ 732 mil com a Prefeitura de São Gonçalo, administrada por Capitão Nelson. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 61 mil pela locação de um imóvel para a Fundação Municipal de Saúde e foi feito por dispensa de licitação.

A empresa havia sido criada dois meses antes da assinatura. Mariana Barbosa de Souza, mulher de Douglas, havia sido sócia de Neves em duas empresas. Ele deixou as sociedades em agosto de 2025. Douglas disse desconhecer a contratação e afirmou que não ocupava cargo na prefeitura naquele momento. A prefeitura declarou que a locação seguiu os procedimentos legais.

Apurações sobre empresas e patrimônio

Em junho de 2026, o Ministério Público do Rio de Janeiro abriu uma apuração preliminar sobre a Saur Construção, Terraplanagem e Locação e a DM Invest, empresas ligadas a Douglas. O órgão pediu informações sobre possíveis pagamentos do governo estadual. A Procuradoria-Geral do Estado respondeu que não encontrou pagamentos às duas companhias.

Também há um inquérito civil aberto em maio de 2023 para apurar possíveis atos de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito envolvendo Douglas e Thiago Saraiva, ex-secretário de Fazenda de São Gonçalo. Até agosto deste ano, o procedimento não havia sido concluído.

Entre 2023 e 2025, empresas ligadas a Douglas e à sua mulher compraram imóveis e precatórios avaliados em mais de R$ 15 milhões nas escrituras. A Saur, da qual Douglas possui 90%, realizou parte das aquisições. Em documento registrado na Junta Comercial, a empresa declarou R$ 19,6 milhões em lucros acumulados e previu a distribuição dos valores até 2028. A participação atribuída a Douglas seria de aproximadamente R$ 15,9 milhões.

Auditoria na Secretaria de Cidades

Uma auditoria sobre contratos da Secretaria estadual de Cidades, comandada por Douglas entre 2023 e março de 2026, apontou possíveis irregularidades. Um dos pontos analisados foi um aditivo de aproximadamente 45% em um contrato de recapeamento, que teria aumentado de R$ 99,7 milhões para R$ 144,9 milhões.

O relatório também citou relações empresariais envolvendo pessoas próximas a Altineu Côrtes. Como o deputado possui foro, o caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República para avaliação. Douglas e os demais citados negaram irregularidades.

Os procedimentos ainda não estabelecem, por si só, que Douglas tenha cometido crime. No caso relacionado a seu pai, o inquérito foi arquivado; em outra apuração, não foram encontrados pagamentos públicos às empresas investigadas. Os episódios, porém, colocam sob análise a influência familiar, os negócios privados e a gestão de recursos públicos na trajetória política do candidato.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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