Um vídeo em que Paulo Guedes defende a liberdade de adultos para gastar dinheiro com jogos de azar voltou a circular nas redes sociais após Luiz Inácio Lula da Silva assinar uma medida provisória contra as bets no Brasil.
A gravação foi feita durante uma reunião ministerial de 22 de abril de 2020, no governo de Jair Bolsonaro. Na ocasião, o então ministro da Economia defendia a possibilidade de liberar cassinos físicos para atrair turistas. A discussão não tratava especificamente do atual mercado de apostas esportivas e cassinos online.
Declarações de Paulo Guedes
Durante a reunião, a então ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, se posicionou contra a proposta. Guedes respondeu que adultos deveriam ter autonomia para decidir se queriam participar de jogos de azar e gastar o próprio dinheiro.
Na conversa, o ex-ministro afirmou: “Deixa cada um se foder, ô Damares”. O vídeo voltou a ganhar circulação durante a campanha de 2026, em meio ao conflito político provocado pela proibição das apostas online.
Medida provisória contra as apostas
Lula assinou, em 25 de setembro, a Medida Provisória nº 1.394. O texto proíbe apostas de quota fixa no Brasil, incluindo apostas esportivas e jogos online, e também alcança empresas estrangeiras que direcionem suas operações ao público brasileiro.
A medida prevê um período de transição para o encerramento das plataformas, a devolução de valores aos usuários e mecanismos para impedir operações financeiras ligadas às empresas. Também estabelece regras para retirada ou bloqueio de sites e aplicativos.
Por ser uma medida provisória, o texto produz efeitos imediatos, mas depende do Congresso Nacional para continuar em vigor.
Repercussão e apoio à proibição
O Instituto Democracia em Xeque informou que o tema foi o evento político de maior repercussão entre os episódios monitorados pela organização nos últimos 12 meses. Nas primeiras 24 horas depois da assinatura, foram registradas aproximadamente 1,33 milhão de menções.
Entre 25 e 28 de setembro, nas primeiras 63 horas de monitoramento, houve 2,5 milhões de posts e 40 milhões de interações. Entre as publicações com posicionamento identificado, 57% eram contrárias à decisão e 43% favoráveis. Na divisão por engajamento, porém, os conteúdos favoráveis reuniram 52% das interações, contra 48% dos contrários.
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 23 de setembro apontou que 75% dos entrevistados apoiavam a proibição das apostas online. Outros 17% discordavam da medida e 8% não concordavam nem discordavam. O levantamento ouviu 5.015 adultos entre 17 e 22 de setembro, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-04739/2026.
Disputa política e impacto financeiro
Flávio Bolsonaro criticou a decisão e classificou a iniciativa como “hipócrita, eleitoreira, oportunista”. Em uma transmissão ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o senador concentrou as críticas nos cassinos online, como o chamado Jogo do Tigrinho. Ele afirmou que pretende combater essas plataformas com ferramentas tecnológicas.
Dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal indicam que as famílias brasileiras tiveram perdas líquidas estimadas em R$ 62,5 bilhões com apostas online em 2025. O valor equivale a aproximadamente 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta.
Entre outubro de 2024 e março de 2026, as plataformas de apostas movimentaram quase R$ 351 bilhões por meio de transferências via Pix. Os impactos financeiros e sociais estão entre os argumentos usados por defensores da proibição, enquanto críticos questionam a decisão de encerrar um mercado que havia passado por regulamentação recente.







