A durabilidade, a qualidade e a possibilidade de combinar uma mesma roupa em diferentes ocasiões passaram a pesar mais nas decisões de compra. Em vez de considerar apenas o preço e as tendências, consumidores avaliam se a peça continuará útil ao longo do tempo.
O modelo de fast fashion se consolidou nas décadas de 1990 e 2000 com roupas produzidas em grande escala, baixo custo e rapidez para acompanhar novidades. A expansão de empresas digitais, como a Shein, intensificou esse ritmo, com milhares de peças novas produzidas diariamente.
Para Aluizio Freitas, diretor da Sigbol Escola de moda e costura, o preço baixo não representa necessariamente economia. “O consumidor começa a perceber que uma peça barata nem sempre é uma compra econômica”, afirma. Problemas de caimento, costura e uso limitado podem elevar o custo real da roupa, enquanto peças bem construídas podem permanecer no guarda-roupa por anos.
O que define uma peça durável
A resistência de uma roupa depende de decisões tomadas antes de ela chegar às lojas. Modelagem, tecido, costura, acabamento e construção influenciam tanto a aparência quanto a conservação do item.
A modelagem contribui para o caimento e pode permitir diferentes formas de uso. O tecido interfere na resistência e na manutenção. Costuras reforçadas, acabamento interno e aviamentos de qualidade também ajudam a prolongar a vida útil da peça.
A professora de moda Elizângela Gomes explica que a durabilidade não depende somente de um material resistente. “A modelagem precisa ser pensada, o tecido precisa conversar com a proposta e a costura e os acabamentos precisam garantir que a roupa suporte o uso ao longo do tempo”, diz.
Mais combinações e mercado de revenda
Roupas que atravessam temporadas e estilos ganharam espaço na montagem dos guarda-roupas. Uma camisa pode ser usada no trabalho ou em produções casuais e sofisticadas. Blazers e saias também podem mudar de aparência conforme os acessórios, calçados e sobreposições.
A indústria acompanha esse movimento com a expansão dos brechós físicos e online. A ideia é que determinadas peças preservem valor e versatilidade mesmo depois da primeira compra. Em relatório de 2025, a plataforma The RealReal informou que 47% dos consumidores já consideravam o valor de revenda antes de adquirir uma roupa nova.







