O economista José Luis Oreiro, professor do departamento de economia da Universidade de Brasília (UnB), afirmou que as apostas esportivas e virtuais, conhecidas como bets, retiraram recursos dos orçamentos familiares e contribuíram para o endividamento no Brasil. Para ele, os prejuízos sociais e de saúde pública provocados por esse fenômeno precisam ser enfrentados pelas empresas do setor.
“Parte significativa do endividamento das famílias brasileiras nos últimos dois a três anos tem sido resultado de dinheiro drenado do orçamento familiar para as bets”, declarou Oreiro.
A avaliação ocorre em um momento de aumento das dívidas das famílias. A terceira etapa do programa Desenrola deverá priorizar débitos acumulados entre dois e quatro anos e meio. O governo prevê leilões para essas dívidas, com desconto mínimo de 90%.
Crédito e inadimplência
Segundo o economista, a oferta facilitada de empréstimos rápidos, combinada ao vício em jogos, contribuiu para o crescimento da inadimplência. A redução recente da taxa Selic impulsionou a concessão de crédito no país, mas Oreiro afirma que também é necessário discutir os custos cobrados pelas instituições financeiras.
“É necessário reduzir os juros, não só a taxa básica de juros, mas também voltar a discutir a redução do spread bancário no Brasil”, disse. Na avaliação dele, o spread bancário brasileiro está entre os mais altos do mundo.
O orçamento das famílias também sofre pressão do aumento do preço dos alimentos. O economista relaciona esse movimento a eventos climáticos e fatores internacionais, além da concentração da geração de empregos no setor de serviços.
Para Oreiro, o país atravessa uma situação paradoxal: a renda real cresce, mas perdeu capacidade de compra de alimentos. Ele também afirmou que as bets devem arcar com os prejuízos provocados à sociedade brasileira. O governo Lula proibiu as apostas na semana passada.







