Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio de Flávio Bolsonaro em uma loja de chocolates, reuniu mensagens, áudios, documentos e fotos relacionados ao senador e entregou parte desse material a pessoas ligadas à política em Brasília. Os registros integram uma disputa financeira iniciada após o fim da sociedade e trazem acusações sobre festas com garotas de programa, pagamentos feitos por parceiros e uma tentativa de intermediação envolvendo o gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal.
A sociedade funcionava na Bolsotini Chocolates e Café Ltda., uma franquia da Kopenhagen instalada em um shopping da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O negócio foi investigado pelo Ministério Público do Rio no contexto das apurações sobre rachadinhas e acabou fechado. Santini afirma que ficou no prejuízo e, em 28 de setembro de 2023, enviou ao gabinete de Flávio uma notificação extrajudicial cobrando R$ 1,4 milhão. No documento, registrou que Flávio havia investido R$ 200 mil em dinheiro vivo.
Disputa e crise familiar
Segundo as mensagens preservadas por Santini, ele organizava encontros privados com garotas de programa e enviava ao senador informações sobre mulheres e locais. Uma conversa menciona uma festa no Grand Hyatt, no Rio de Janeiro, com outras pessoas. O ex-sócio também levou fotos e mensagens à dentista Fernanda Bolsonaro, mulher de Flávio, provocando uma crise no casamento durante a campanha de Jair Bolsonaro à reeleição em 2022.
Em uma mensagem enviada a Santini, Flávio reconheceu ter feito escolhas erradas e pediu que ele se afastasse de Fernanda. O senador escreveu: “Me arrependi, de verdade, de muitas escolhas erradas que fiz na vida e não vou errar nunca mais com a minha família”. Santini respondeu que Flávio poderia ter enviado a mensagem para a pessoa errada.
As tentativas de acordo passaram pelo escritório do advogado Willer Tomaz. Santini afirmou que os representantes começaram a negociar, mas adiavam uma resposta definitiva. Em uma publicação nas redes sociais, ele ameaçou levar informações sobre Flávio a órgãos de investigação e à Justiça.
Presentes e despesas
Os arquivos também incluem comprovantes de pagamentos, planilhas e notas fiscais que, segundo Santini, mostram despesas pessoais de Flávio custeadas por pessoas próximas. Entre os itens estão equipamentos de academia para uma casa comprada pelo senador por R$ 5,9 milhões, com notas que somavam mais de R$ 90 mil, além de uma televisão e mensalidades de academia.
Outro registro trata de um relógio Rolex de ouro branco, modelo Submariner Date, comprado por Alan Belaciano em Brasília em 10 de fevereiro de 2022. A nota fiscal, emitida em nome do advogado, aponta o valor de R$ 305 mil. Santini afirma que o presente era destinado a Flávio Bolsonaro.
Flávio disse anteriormente que um amigo de longa data havia comprado os equipamentos de academia como um empréstimo pessoal. Sobre Santini, afirmou que as acusações eram infundadas e que o ex-sócio havia pedido dinheiro.
Pressão envolvendo o STF
No fim de 2023, Santini enviou nova mensagem a Flávio sobre uma suposta atuação em favor de um cliente com processo no gabinete de Kassio Nunes Marques. A acusação envolvia Alan Belaciano, que teria participado da intermediação. Santini também mencionou um jantar na casa de Flávio com a presença do chefe de gabinete do ministro.
O gabinete de Kassio informou que é praxe atender parlamentares de todos os partidos, mas não respondeu especificamente sobre pedidos de Flávio. Depois da mensagem, o senador marcou uma conversa com Santini em seu gabinete. Em seguida, o ex-sócio comunicou a pessoas que conheciam o caso que a disputa estava encerrada.
Santini e Flávio se conheceram no começo dos anos 2000, no Rio de Janeiro. A relação também aproximou o ex-sócio de Jair Bolsonaro, Fabrício Queiroz e Frederick Wassef. Em uma gravação, Santini afirmou: “Se eu quiser, eu ponho o Flávio na cadeia. Com o que tenho na mão, ele vai preso”. Atualmente, ele declara apoio à candidatura de Flávio à Presidência.







