Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Flávio Bolsonaro nega ligação com suposto financiamento de filme sobre o pai

Documentos e mensagens citados no caso Master apontam negociação de US$ 24 milhões para produzir cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Filme de Bolsonaro leva Master ao colo de Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tenha financiado o filme Dark Horse, cinebiografia internacional sobre Jair Bolsonaro (PL). A acusação coloca a pré-campanha do senador no centro das discussões sobre o caso do banco liquidado pelo Banco Central.

Documentos e mensagens analisados no caso indicam uma negociação de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época, para bancar a produção. Também há registro de transferências de pelo menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, entre fevereiro e maio de 2025.

Questionado sobre a suposta participação de Vorcaro, Flávio afirmou que a informação era mentira. O senador disse que o filme seria financiado com recursos privados e rejeitou qualquer ligação com o banqueiro.

Reações no Congresso

A denúncia interfere na estratégia política de Flávio, que vinha atribuindo o caso Master ao governo Lula e ao Banco Central enquanto defendia a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o episódio.

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) já havia relacionado o entorno da pré-campanha ao caso ao mencionar Marcello Lopes, publicitário responsável pela comunicação de Flávio. Segundo Gleisi, Lopes foi estrategista de um plano contratado por Vorcaro para atacar o Banco Central. Ela também criticou o senador por defender a CPMI em vídeo e, na avaliação dela, não agir quando poderia fazê-lo no Congresso.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que pedirá à Polícia Federal (PF) a prisão preventiva de Flávio e ao Supremo Tribunal Federal (STF) o bloqueio de bens do senador e do PL. O deputado Pedro Uczai (PT-SC), líder da bancada do PT na Câmara, disse que pretende solicitar ao STF a abertura de inquérito sobre a relação entre Flávio e Vorcaro.

O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), declarou que o caso não atingirá Flávio, classificou a expressão “BolsoMaster” como eleitoreira e afirmou não haver comprovação de envolvimento de políticos de direita no escândalo.

Relações políticas e financeiras

Cabo Gilberto também afirmou que seria ruim manter Ciro Nogueira (PP-PI) no palanque de Flávio caso fosse comprovada a participação do senador no caso Master. Flávio já citou Ciro como um possível nome para vice, e Valdemar Costa Neto, presidente do PL, voltou a mencionar essa possibilidade nesta quarta-feira (13).

As liquidações do Master e da Reag afetaram cerca de 1,6 milhão de clientes. O conjunto formado por Master e Will Bank é apontado como o maior colapso bancário da história do país, com rombo estimado em R$ 47,3 bilhões.

A produção do filme também envolve outros nomes citados nas negociações. O fundo Havengate Development Fund LP, no Texas, aparece relacionado ao projeto e conectado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. Mensagens mencionam ainda o deputado Mario Frias e intermediários envolvidos nas tratativas.

Está prevista para 29 de maio, em Curitiba, uma manifestação durante a festa de aniversário do deputado federal Filipe Barros (PL-PR), no Clube Curitibano. Flávio é esperado no evento, que entrou na mira de movimentos progressistas por causa de faixas com a expressão “BolsoMaster”.

A suspeita não representa condenação de Flávio Bolsonaro, que nega a acusação. O caso, porém, passou a relacionar a defesa da CPMI do Master à suposta negociação de recursos para um filme sobre Jair Bolsonaro, em uma operação que teria envolvido aliados do grupo político.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.

Mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5