A Grande Muralha Verde reúne técnicas de recuperação do solo em uma faixa de aproximadamente 8 mil quilômetros, do Senegal ao Djibuti, acompanhando o Sahel, região entre o deserto do Saara e as savanas tropicais. O projeto não é uma fileira contínua de árvores: combina lavouras, pastagens manejadas, sistemas agroflorestais e áreas de vegetação nativa em recuperação.
A iniciativa foi lançada pela União Africana em 2007 para conter a desertificação e melhorar as condições de vida das comunidades rurais. Atualmente, envolve 22 países e também está relacionada à produção de alimentos e à geração de renda.
Técnicas adaptadas ao território
Em diferentes áreas do Sahel, agricultores abrem pequenas covas e as preenchem com esterco, folhas e outros materiais orgânicos antes da chegada das chuvas. A técnica, conhecida como zaï, concentra umidade e nutrientes ao redor das raízes e permite o cultivo em solos desgastados.
Outra prática é a construção de cordões de pedra. As rochas são alinhadas conforme as curvas do terreno para diminuir a velocidade da água da chuva, conter a erosão e aumentar a infiltração no solo.
Também há iniciativas de regeneração natural assistida. Agricultores protegem brotos e raízes de espécies nativas que já conseguem sobreviver ao clima da região. A acácia-senegal, por exemplo, ajuda na recuperação do solo e fornece goma arábica, usada pelas indústrias de alimentos, medicamentos e cosméticos.
Os sistemas agroflorestais reúnem árvores, cultivos agrícolas e criação de animais na mesma área. A vegetação fornece sombra, pode melhorar a fertilidade da terra e reduz a perda de umidade.
Resultados e metas
As primeiras experiências mostraram que o plantio em massa não era suficiente. Muitas mudas não resistiam ao clima seco, sobretudo quando as espécies não estavam adaptadas ao solo e à pouca disponibilidade de água. A necessidade de irrigação constante também era inviável para diversas comunidades. Por isso, a iniciativa passou a considerar as características de cada território, com atenção à água, ao solo e ao conhecimento dos moradores.
A Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação estabeleceu metas para 2030: restaurar 100 milhões de hectares, retirar ou evitar 250 milhões de toneladas de carbono e criar 10 milhões de empregos verdes.
Um relatório publicado em 2026 registrou 1,66 milhão de hectares em processo de restauração, 24 milhões de toneladas de carbono retiradas ou evitadas, 4,6 milhões de empregos e mais de 46 milhões de pessoas beneficiadas.
O acompanhamento ainda é incompleto. Dos 389 projetos registrados até o fim de 2025, menos de 90 apresentaram informações compatíveis com o sistema de monitoramento. Isso dificulta a avaliação dos resultados e a comparação entre os países envolvidos.
Para as famílias do Sahel, a recuperação das terras pode permitir o cultivo de alimentos, a oferta de pasto e a redução das perdas nos períodos de estiagem. A vegetação também fornece madeira, frutos, sementes e produtos comercializados nos mercados locais.







