Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Instituto ligado a André Mendonça recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro

Repasse ocorreu por meio de mútuo conversível; instituto começou a devolver os valores em janeiro e já quitou cerca de 5,3%.

Ex-parceiro de Vorcaro passou R$ 5 milhões a instituto criado por Mendonça
Foto: Rosinei Coutinho/STF

O Instituto Iter, fundado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, empresa cujo proprietário é o empresário Lucas Kallas. O repasse foi feito por meio de um contrato de mútuo conversível, modalidade de empréstimo que permite transformar o valor em ações ou quotas da empresa. O contrato previa R$ 5,9 milhões.

Os pagamentos ocorreram até o final de 2025, quando Mendonça ainda integrava o quadro societário do instituto. Criado em 2024, o Iter anunciou a saída do ministro no último dia 3 de setembro. A devolução dos recursos começou em janeiro deste ano, e, até o momento, cerca de 5,3% do total devido foi quitado.

Como ocorreu o acordo

A transferência foi interrompida no final de 2025, quando o instituto afirmou ter alcançado sustentabilidade financeira. Depois disso, as partes assinaram um termo aditivo que antecipou o vencimento da dívida e estabeleceu o início do ressarcimento, com correção pela taxa Selic.

As negociações foram conduzidas pelo presidente-executivo do Iter, o ex-ministro da Educação Victor Godoy Veiga, diretamente com Carlos Adel de Freitas e Eduardo Soares de Couto, diretores de investimento e jurídico da Cedro.

Kallas e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foram acionistas ao mesmo tempo de duas empresas de capital aberto. A Cedro nega que tenha existido sociedade entre os dois e afirma que a aproximação com empresas do grupo de Vorcaro ocorreu apenas por investimentos comuns em companhias abertas.

Em nota, o Iter disse que Mendonça e Kallas não participaram das negociações, da definição dos valores nem da assinatura do contrato. O instituto afirmou que todo o dinheiro foi depositado em sua conta como pessoa jurídica e destinado exclusivamente à estruturação e à operacionalização da entidade, com acompanhamento contábil e fiscal.

O Iter também declarou que não distribuiu lucros, dividendos ou participações nos resultados a acionistas, sócios ou administradores. Segundo a instituição, durante o período em que Mendonça integrou a entidade, a atuação dele ficou restrita ao magistério acadêmico, sem recebimento de contrapartida financeira.

Posicionamento da Cedro

A instituição afirmou ainda que Kallas integrava, na época da assinatura, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República e não tinha impedimentos legais. O Iter negou relação com o Banco Master ou com Daniel Vorcaro e disse que eventuais acontecimentos posteriores não alteram a legalidade do contrato.

A Cedro declarou que Vorcaro nunca teve vínculo societário ou empresarial com seus negócios ou com os de suas controladas. A empresa informou que consolidou sua posição na Biomm em 2023 e entrou na Latache Capital entre 2024 e 2025. Em abril de 2026, deixou o quadro de sócias das duas companhias para concentrar os investimentos no setor de mineração.

As assessorias de Kallas e da Cedro também afirmaram que o empresário deixou, em definitivo, em 2017, o negócio citado na Operação Parcours, no qual atuava como sócio-investidor. Segundo as notas, as viagens internacionais de Kallas fazem parte da agenda de prospecção da holding, que esteve em mais de 17 países ao longo do ano passado.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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