A investigação da Operação Lívia identificou uma rede virtual que, conforme a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, usava perfis falsos para se aproximar de jovens vulneráveis, obter dados pessoais e fazer ameaças e chantagens. O grupo era chamado de panela pelos integrantes e existia havia cerca de dois anos.
A adolescente de 13 anos estava no grupo havia cerca de três meses. Nesse período, segundo a investigação, ela recebeu ordens para praticar automutilação e foi pressionada a tirar a própria vida. Imagens examinadas pela perícia mostram marcas no corpo com referências aos nomes de lideranças da rede.
Participação de adolescente
Entre os investigados está uma adolescente de 13 anos, moradora de uma cidade do interior de São Paulo, que era considerada amiga pela vítima. A apuração indica que ela teria conseguido dados pessoais da jovem e compartilhado as informações com outros integrantes.
A vítima havia retornado da Espanha, onde morava com o pai e uma irmã. A transmissão da morte ocorreu na madrugada de 22 de julho e passou por Zangi, Telegram, Discord e Instagram. Os envolvidos trocavam de plataforma quando os canais eram derrubados.
O Ciberlab (Laboratório de Operações Cibernéticas), do Ministério da Justiça, notificou as empresas responsáveis pelos serviços. No Discord, a derrubada do canal levou 28 minutos. A Meta informou que coopera com as autoridades e apoia as investigações.
O Discord declarou que desativou o servidor privado usado pelo grupo antes da morte e que emprega tecnologia e equipes especializadas para retirar conteúdos que violem suas políticas. A empresa também foi alvo de medidas que resultaram na suspensão das transmissões ao vivo. Em outra ação, o governo pede R$ 500 milhões por danos morais coletivos; o processo tramita na Justiça.
Prisões e análise dos aparelhos
A nova etapa da operação levou à apreensão de seis adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos. Com os cinco adolescentes e um adulto alcançados na primeira fase, a Operação Lívia soma 12 pessoas apreendidas ou presas.
A delegada Anne Karine Trevizan afirmou que os adolescentes podem responder por atos infracionais análogos a homicídio qualificado e organização criminosa. “Durante os depoimentos, eles não demonstraram arrependimento pelos atos”, disse.
A análise dos aparelhos recolhidos levou a polícia a investigar a possibilidade de outras adolescentes terem sido atingidas pela rede. A extração e a perícia dos dados continuam para verificar essas ocorrências e apontar eventuais participantes.
Os seis adolescentes permanecem sob custódia, à disposição da Justiça, que poderá avaliar a internação provisória por até 45 dias, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente. Os apreendidos na primeira fase continuam presos ou internados. O adulto detido anteriormente responde por suspeita de homicídio qualificado, organização criminosa e maus-tratos contra animais.
O Zangi informou manter contato com autoridades brasileiras desde 2022 e disse não ter recebido denúncias ligadas ao caso. A empresa considera improvável uma transmissão pública pelo aplicativo, que não oferece canais ou recursos de transmissão aberta. O Telegram não respondeu ao contato oficial.








