A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) notificou o Discord para cobrar explicações sobre ferramentas que continuam permitindo chamadas em vídeo e espelhamento de telas no Brasil. A suspensão das transmissões em vídeo no aplicativo permanece em vigor, mas esses recursos internos seguem disponíveis sem filtro geográfico ou bloqueio de acesso.
A agência determinou o bloqueio depois de apurações relacionadas à segurança de menores na internet. O órgão informou que o descumprimento de ordens preventivas pode levar a punições, entre elas multas diárias. Os detalhes sobre como acessar as salas não foram divulgados por razões de segurança e para evitar novos delitos.
Recursos ainda acessíveis
As ferramentas são incorporadas ao próprio sistema do Discord e oferecem funções equivalentes às da transmissão que foi suspensa. Com isso, usuários conseguem continuar enviando imagens em tempo real, realizando chamadas e compartilhando telas por meios secundários da plataforma.
A presença de salas privadas com senha e o baixo controle sobre o conteúdo foram apontados como fatores que mantêm os riscos investigados pelas autoridades. Criminosos podem usar esses ambientes para atrair jovens, ganhar a confiança deles, exigir desafios violentos, fazer extorsões e aplicar chantagens.
Caso investigado
A intervenção ocorreu após uma investigação policial sobre a morte de uma jovem de 13 anos no Centro-Oeste. As apurações indicaram que ela foi induzida ao suicídio durante uma exibição ao vivo. Segundo as investigações, criminosos utilizavam salas fechadas para se aproximar de adolescentes e submetê-los a coação psicológica.
A ação policial também atingiu redes de violência na internet em vários estados e levou à apreensão de suspeitos de integrar grupos que chantageavam jovens e incentivavam a automutilação.
A medida tem amparo no Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, que exige mecanismos de proteção contra material ilegal, violência e abuso sexual. A legislação também prevê checagem de idade e controle dos pais.
A ANPD confirmou que a suspensão continuará até que o Discord apresente soluções de segurança comprovadas. O pedido da plataforma para liberar as transmissões foi negado, e o processo segue em análise nas instâncias superiores do órgão. A empresa não se manifestou sobre o assunto.







