Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Milton Leite ampliou influência em São Paulo com apoio de três prefeitos e Tarcísio

Ex-presidente da Câmara se entregou à polícia após prisão temporária por suposta ligação com o PCC; aliados destacaram relação institucional.

Hoje preso, Milton Leite inflou poder com Doria e ganhou apoio de Tarcísio
Foto: Reprodução

Preso após se entregar à polícia, o ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite construiu espaço político nas administrações de João Doria, Bruno Covas e Ricardo Nunes. Durante o período à frente do Legislativo paulistano, também manteve proximidade com o governador Tarcísio de Freitas.

A prisão temporária foi decretada por uma suposta ligação com o PCC. Milton Leite foi um dos alvos da Operação Vectura Corrupta, da Polícia Civil, que também teve outras 15 pessoas como alvo de mandados de prisão. Antes de se entregar, ele havia sido considerado foragido.

Relações com as prefeituras

Vereador desde 1997, Milton Leite apoiou a campanha de João Doria e ampliou sua presença nas decisões do Executivo durante a gestão do tucano. Eleito presidente da Câmara em 2017, apoiou propostas do pacote de desestatizações, incluindo concessões do Pacaembu, do Mercadão e de parques, além da privatização do Anhembi.

Em períodos de ausência simultânea de Doria e do então vice, Bruno Covas, Milton Leite assumiu a Prefeitura de São Paulo. Em uma dessas ocasiões, permaneceu cinco dias no cargo e realizou ações na zona sul, sua base eleitoral.

A relação com Covas continuou depois que ele assumiu a prefeitura. Em 2020, Milton Leite publicou uma mensagem de aniversário ao prefeito e declarou que ele poderia contar com seu apoio.

Milton Leite também participou da articulação que levou Ricardo Nunes à posição de vice na chapa tucana. Quando Nunes assumiu a prefeitura, em 2021, vereadores avaliavam que o presidente da Câmara havia ganhado ainda mais influência no governo.

Em 2024, Milton Leite tentou ser indicado para vice na chapa de Nunes, mas a vaga ficou com o coronel Mello Araújo, escolhido por Jair Bolsonaro. Meses depois, o então vereador afirmou que sua relação com Nunes estava “péssima”.

Aproximação com o governo estadual

A relação com Tarcísio se tornou mais visível enquanto Milton Leite presidia a Câmara. Em janeiro de 2024, os dois participaram de um evento na Vila Emir, na zona sul, onde o governador fez elogios ao então vereador.

Milton Leite também teve participação na aprovação da adesão de São Paulo à privatização da Sabesp, uma pauta do governo estadual. No início de abril de 2024, ele dizia que não havia votos suficientes e que não colocaria o projeto em votação enquanto houvesse resistência.

A tramitação avançou depois da Operação Fim da Linha, deflagrada em 9 de abril contra empresas de ônibus suspeitas de ligação com o PCC. O governo do estado negou ter pressionado Milton Leite, e o então vereador também negou pressão. Mais tarde, ele votou a favor da proposta e disse que o texto havia sido aprimorado, com mais contrapartidas para São Paulo.

Em 30 de agosto, Tarcísio participou do lançamento das campanhas de Milton Leite Filho e Alexandre Leite, filhos do ex-vereador. Após a prisão, o governador classificou o vínculo como institucional e relacionado a projetos sobre mananciais, tratamento e saneamento básico na Billings e na Guarapiranga.

Ricardo Nunes afirmou ter “muito respeito pela história” do antigo aliado. João Doria, por sua vez, disse que Milton Leite teve comportamento republicano durante sua presidência na Câmara e não foi protagonista de conflitos com o Executivo.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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