Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Acordos sobre a Sabesp aproximaram Tarcísio e Milton Leite antes de operação

Negociações políticas envolveram a privatização da Sabesp, a eleição municipal de 2024 e a influência de Leite no governo paulista.

Tarcísio usou privatização da Sabesp para se aliar a Leite, investigado por ligação com PCC

As negociações para aprovar a privatização da Sabesp aproximaram o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) do então presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite. O acordo também envolveu o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e incluiu tratativas para as eleições municipais de 2024.

A aproximação veio a público em um evento realizado na Vila Emir, na zona sul da capital, em 17 de janeiro de 2024. A cerimônia marcou a primeira fase de implantação da Usina Fotovoltaica Flutuante Araucária, mas também foi palco de elogios de Tarcísio ao vereador, diante de apoiadores.

“Que o Milton é querido, tudo bem, a gente já sabia. Agora, lindão?”, disse o governador durante o evento.

Na quinta-feira (17), uma operação que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no transporte coletivo atingiu Leite e Danilo Morgado (PL). A polícia decretou a prisão do ex-vereador, considerado foragido, enquanto Morgado foi preso.

A Operação Vectura Corrupta é conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo. A ação busca executar 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

De acordo com a Polícia Civil, a investigação identificou 12 empresas de transporte coletivo que seriam controladas, direta ou indiretamente, pelo PCC. Os investigadores apontam uma possível presença da organização criminosa em empresas e processos de licitação do transporte público da capital, por meio de integrantes e intermediários.

Negociações pela privatização

O projeto de venda da Sabesp precisava da aprovação da Câmara Municipal porque havia uma cláusula no contrato da estatal com o município de São Paulo. Leite, então presidente da Casa, mantinha a proposta sem ser pautada desde setembro de 2023.

A privatização era uma das principais bandeiras da campanha de Tarcísio em 2022. Já Leite buscava recuperar espaço político no Palácio dos Bandeirantes, depois de ter influência durante as gestões de João Doria e Rodrigo Garcia, ambos do PSDB. Ele também queria participar da escolha do vice de Nunes, que disputaria a reeleição.

Em outubro de 2023, Leite criticou a venda da Emae e da Sabesp e afirmou que não abriria mão dos direitos da cidade de São Paulo. Ao mesmo tempo, usava a pré-candidatura do deputado federal Kim Kataguiri à Prefeitura para pressionar Nunes. Kataguiri integrava o União Brasil, partido liderado por Leite na capital, que tinha sete vereadores e era considerado necessário para formar maioria na Câmara.

Mudanças políticas

Nunes apoiou a escolha do vereador Ricardo Teixeira (União) para a presidência da Câmara Municipal. Com isso, o partido de Leite manteve o comando da Casa. Tarcísio, por sua vez, garantiu o retorno da influência do ex-vereador no governo paulista.

A mudança se confirmou depois da saída de Gilberto Kassab (PSD) da Casa Civil e da indicação de Arthur Lima, do União Brasil, aliado de Leite. Após os entendimentos, a tramitação do projeto da Sabesp avançou na Câmara, e a cláusula que impedia a venda da estatal à iniciativa privada foi derrubada.

Há 18 dias, no lançamento das candidaturas dos filhos de Leite, Alexandre Leite e Milton Leite Filho, Tarcísio voltou a elogiar a família do ex-vereador. O governador disputa a reeleição para o governo paulista.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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