PALHOÇA — Moradores da comunidade Frei Damião, em Palhoça, na Grande Florianópolis, estão sem abastecimento de água há quase um mês. Para conseguir realizar tarefas básicas, uma moradora passou a usar um aspirador de pó conectado à tubulação e transferir a água para garrafas e bombonas.
O problema começou durante obras de regularização na rua Jackson Alexandre, uma das primeiras áreas atendidas pela concessionária Águas de Palhoça. As intervenções começaram em 28 de julho e previam beneficiar cerca de 3.202 imóveis nos bairros Frei Damião e Brejaru, com 19 km de rede de distribuição e equipamentos.
De acordo com os moradores, os canos antigos foram danificados durante a troca da tubulação. Embora os tubos do novo sistema estejam expostos na rua, as ligações das residências ainda não tinham sido concluídas até quinta-feira (10), sem previsão de encerramento.
A obra tinha como objetivo regularizar o abastecimento e atender 10 mil moradores e 2,6 mil ligações domiciliares. Segundo a população local, a interrupção afetou aproximadamente 100 famílias. Parte dos moradores precisa caminhar por cerca de um quilômetro até uma praça para buscar água em baldes e recipientes. Outros reaproveitam a água da chuva ou tomam banho no trabalho.
A concessionária responsável pelo abastecimento do bairro Brejaru informou que não havia registro de solicitação sobre falta de água em seus sistemas de atendimento. A empresa afirmou que a rede está sendo implementada porque antes era inexistente e que os moradores recorriam a redes não regularizadas.
Alternativas para conseguir água
Sandra Garais conecta o tubo do aspirador diretamente ao cano para puxar a água. O equipamento é usado para encher recipientes plásticos e reduzir a necessidade de deslocamento. A vizinha Joselei Tomazini também tenta retirar água das tubulações, usando a boca para aspirar mangueiras acopladas aos canos.
Adriana dos Santos Oliveira disse que os moradores foram informados de que a obra só seria entregue em fevereiro. “A gente quer que façam isso antes”, afirmou. Ela também cobrou o direito de ter abastecimento e de pagar pelo serviço.
Enquanto a situação não é resolvida, moradores relatam dificuldades para lavar roupas, louças e tomar banho. Sandra contou que o marido leva água do trabalho para casa e que a família precisa improvisar para manter a rotina.







